O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Terça-feira, 23 de Agosto de 2011

Antes do rito, antes do dogma, antes da pastoral, a religião é sobretudo a mística.

 

Dizer mística é dizer mistério e dizer mistério é dizer Deus e o Homem.

 

Esta é, pois, a essência da religião, aquilo que a configura como religação.

 

Mas corre o risco de ser também o essencial esquecido. Daí tantos equívocos. Mas daí também o imperativo de regressarmos à mística sob pena de desfigurarmos aquilo que, supostamente, pretendemos relevar.

 

André Malraux terá dito que «o século XXI será religioso ou não será». Karl Rahner, por sua vez, avisou que «o cristianismo será místico ou não será nada».

 

Caso para (duplamente) perguntar: que tipo de religiosidade é a do nosso século?; estará o cristianismo a integrar devidamente a mística? O crescente interesse pelas religiões orientais não certificará uma insuficiente aposta na mística por parte das igrejas cristãs?

 

O conhecido teólogo Juan Martín Velasco alertava que que «o cristão de hoje ou é místico ou, muito provavelmente, não poderá ser cristão».

 

Isto significa, segundo ele, que o cristianismo carece de uma reconfiguração: «Há um cristianismo que se vai derrubando à nossa vista»: o cristianismo de massas vai dando lugar a um cristianismo da pessoa.

 

Nesta nova forma de ser crente, a mística impõe-se não como um exclusivo de uns poucos eleitos, mas como a raiz da religião para todos. Neste sentido, a mística «não consiste necessariamente em levitações, visões ou estigmas, mas na experiência pessoal da fé». Isto não quer dizer que não possa haver «místicos mais elevados».

 

Em qualquer caso, a mística sobressai como uma necessidade, um imperativo, uma urgência: «À crise de Deus só se pode responder com a paixão por Deus». Na actualidade, o teólogo dá conta da existência «de uma notável sede de transcendência e de Deus até porque o Homem não se contenta com o que é».

 

Ressalve-se, entretanto, que a mística não se pratica apenas de olhos fechados. Também se faz, como lembra Johannes Baptist Metz, de olhos abertos.

 

A mística, enquanto via unitiva, liga espiritualidade e solidariedade, pois vincula o amor a Deus ao amor pelo próximo.

 

Onde não há solidariedade existe um défice de mística.

 

Os mais recentes acontecimentos certificam uma absoluta necessidade de regressar ao fundamental.

 

Falta mística no mundo. E escasseia mística nas igrejas.

 

Há muito ruído e demasiado frenesim que facilmente se confundem com acção.

 

Do mesmo modo, algum autoritarismo e alguma estreiteza de horizontes denunciam uma debilidade do acolhimento do mistério.

 

A mística não é ruidosa. Mas, na sua discrição, é sumamente interpelante. E significativa.

publicado por Theosfera às 22:09

mais sobre mim
pesquisar
 
Agosto 2011
D
S
T
Q
Q
S
S

1
2
3
4
5
6

7
8
9

16
17
18
19
20

21



Últ. comentários
Sublimes palavras Dr. João Teixeira. Maravilhosa h...
E como iremos sentir a sua falta... Alguém tão bom...
Profundo e belo!
Simplesmente sublime!
Só o bem faz bem! Concordo.
Sem o que fomos não somos nem seremos.
Nunca nos renovaremos interiormente,sem aperfeiçoa...
Sem corrigirmos o que esteve menos bem naquilo que...
Sem corrigirmos o que esteve menos bem naquilo que...
online
Number of online users in last 3 minutes
vacation rentals
citação do dia
citações variáveis
visitantes
hora
Relogio com Javascript
relógio
pela vida


petição

blogs SAPO


Universidade de Aveiro