O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Segunda-feira, 15 de Agosto de 2011

Ao longo deste dia, ouvimos, uma vez mais, a proclamação de um dos textos mais revolucionários da história, mas que, não obstante, recebe frequentemente uma leitura conformista.

 

O Magnificat é um texto interpelante, que estimula a transformação da realidade e nunca a resignação perante ela.

 

Maria, a mansa mulher de Nazaré, é quem louva o Senhor porque «dispersou os soberbos, derrubou os poderosos de seus tronos e exaltou os humildes. Aos famintos encheu de bens, aos ricos despediu de mãos vazias».

 

Sucede que quem presencia as festas deste dia vê-se confrontado com o contrário de tudo isto.

 

Muitas destas festas são promovidas pelos poderosos e têm não poucas marcas de ostentação.

 

Dir-se-ia que a palavra ouvida pela manhã é derretida pelo calor da tarde.

 

Os andores vão, muitas vezes, cobertos de notas e ornados com peças de ouro.

 

Toda a gente sabe que não há grande margem para fazer diferente.

 

As orientações pastorais acerca das procissões são muito claras e apelam para o aprofundamento do sentido da peregrinação orante e da sobriedade. Mas a dimensão etnográfica acaba por se sobrepor.

 

Invoca-se, nestas alturas, o costume, esquecendo que, como já lembrava Tertuliano, Cristo «veio trazer-nos a verdade, não o costume».

 

As procissões impressionam sob vários pontos de vista. A moldura humana que as acompanha é, de facto, espantosa.

 

Mas isso não basta. Depois, há uma certa teologia oficiosa que facilmente se submete ao que vê em vez de motivar para o invisível que importava promover.

 

Em tempos de crise, era salutar que houvesse contenção. E não há dúvida de que Maria seria muito mais honrada se os gastos destas festas ajudassem a matar a fome de muitos dos Seus filhos.

 

Na paz e na justiça, há que crescer na humildade.

 

Será possível haver um sinal de festa enquanto houver uma única pessoa a morrer de fome?

publicado por Theosfera às 16:38

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