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Domingo, 14 de Agosto de 2011

Nos tempos das redes sociais, há neologismos em série.

 

O twitter tornou-se uma das ferramentas mais utilizadas. Permite multiplicar informações constantes em frases curtas.

 

Há pessoas e instituições cujo percurso é conhecido quase ao minuto.

 

Isto significa que, mesmo à distância, conseguimos estar com as pessoas.

 

É claro que estamos de uma maneira muito matizada, muito fabricada. Por vezes, tudo não passa de uma ilusão. E a ilusão é o grande perigo destas formas de comunicação.

 

Estes meios põem-nos em contacto com toda a gente. Até com pessoas que não conhecemos de outra forma, com quem nunca estivemos presencialmente e que, não raramente, ostentam uma identidade que não corresponde à realidade.

 

Por outro lado, cria-se um frenesim contínuo, uma efervescência incontrolável. De resto, no original inglês, twitter tem que ver com chilrear, com agitação.

 

Com o nosso consentimento e com o recurso a estas redes, praticamente deixou de haver privacidade. Invocamos a transparência, mas o que acabamos por fomentar é a intriga, a coscuvilhice, a (in)cultura voyeurista.

 

A vulgaridade passa a ser o padrão que nos ocupa. Que relevância tem saber a que horas determinada pessoa come, passeia, trabalha ou descansa?

 

Relevância pode não ter. Mas tem cada vez mais audiência.

 

As redes sociais encurtam distâncias, mas podem também cavar distâncias.

 

Para estar com quem está longe, corremos o risco de não estar com quem está perto.

 

E, ao apostarmos tanto na presença através destes meios, podemos descurar a presença pessoal.

 

Acresce que o twitter, à semelhança aliás de outros instrumentos similares, está inundado de eu's. São preenchidos (às vezes, poluídos) com informações sobre o eu: o que eu faço, o que eu fiz, o que eu vou fazer, etc.

 

O deslumbramento do eu, fomentado pelo twitter, tem de ser compensado pela abertura ao tu. É esta abertura que dá sentido ao nós.

 

Enfim, pode ser bom twittar, mas é melhor tuitar. Melhor. E muito mais urgente.

 

São palavras homófonas, mas expressam atitudes radicalmente diferentes.

 

É preciso ter consciência de que só no tu acontece a revelação plena do eu.

 

Sem tu, o eu é uma mónada ensimesmada, fechada, autoritária, não solidária, pretensamente auto-suficiente, apesar de estruturalmente insuficiente.

 

O tu do outro é fundamental para o crescimento de cada um.

 

tuidade (vocábulo que recolhi em Xavier Zubiri) é necessária para o conhecimento pessoal.

 

A egopatia é a doença que está na base de todas as enfermidades. É aquela que nos desliga dos outros e que nos torna ameaça para os outros. 

 

Tuitar tem de ser, por isso, a prioridade.  

publicado por Theosfera às 06:01

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