O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Terça-feira, 09 de Agosto de 2011

A relação é, sem dúvida, a grande maravilha da existência. Mas é também o maior risco.

 

A relação permite a realização, mas acaba igualmente por criar dependências.

 

Quanto mais convivemos uns com os outros, mais nos condicionamos uns aos outros.

 

Será por isso que as pessoas mais desassombradamente livres optaram por uma vida inteira (ou por momentos prolongados) de solidão?

 

Jesus preparou a Sua intervenção pública de três anos com muitos anos de quase reclusão. E, mesmo no decurso da missão entre as multidões, não prescindia de extensas horas de recolhimento.

 

Muitas vezes, o colectivo constrange. Acabamos por dizer o que a maioria aplaude e o que as lideranças aprovam.

 

Todos assumem que falar e agir segundo a consciência traz custos.

 

Por isso é que o grande Torga (faz sexta-feira 104 anos que nasceu) proclamava que «a liberdade é uma penosa conquista da solidão».

 

E Fernando Pessoa, no mesmo registo, acreditava estar a essência da liberdade na «possibilidade do isolamento».

 

E reforçava: «És livre se podes afastar-te dos homens, sem que te obrigue a procurá-los a necessidade do dinheiro, ou a necessidade gregária, ou o amor, ou a glória, ou a curiosidade, que no silêncio e na solidão não podem ter alimento. Se te é impossível viver só, nasceste escravo. Podes ter todas as grandezas do espírito, todas da alma: és um escravo nobre, ou um servo inteligente: não és livre. E não está contigo a tragédia, porque a tragédia de nasceres assim não é contigo, mas do Destino para si somente. Ai de ti, porém, se a opressão da vida, ela própria, te força a seres escravo. Ai de ti, se, tendo nascido liberto, capaz de te bastares e de te separares, a penúria te força a conviveres. Essa sim, é a tua tragédia, e a que trazes contigo.Nascer liberto é a maior grandeza do homem, o que faz o ermitão humilde superior aos reis, e aos deuses mesmo, que se bastam pela força, mas não pelo desprezo dela».

 

Palavras fortes, talvez duras, porventura insensatas, estas. E que sinalizam um forte paradoxo. É no contacto com os outros que afirmamos a nossa liberdade. E é, quiçá, por causa desse contacto e em nome dessa liberdade que sentimos necessidade de nos retirar. Para sermos livres. Para sermos nós.

 

Se não formos nós, poderemos abrir-nos aos outros?

 

A existência convida à relação. Mas não exclui, de todo, a necessidade da solidão. Em nome da liberdade!

publicado por Theosfera às 16:12

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