O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Domingo, 07 de Agosto de 2011

Hoje, valoriza-se muito a pressa, a rapidez, a celeridade.

 

Nem a própria actividade intelectual escapa a esta vertigem.

 

Ainda ontem, via um jornalista verter o seu espanto pelo facto de o seu interlocutor ter demorado seis anos a publicar um livro.

 

O que não diríamos a respeito de Immanuel Kant, que levou doze anos a elaborar a Crítica da Razão Pura.

 

Regra geral, admiramos o aluno precoce. Consideramos um sobredotado aquele que tem uma resposta na ponta da língua. E excelsamos o prodígio de quem apreende em pouco tempo.

 

Sem pôr em causa os méritos destes procedimentos, é preciso ter em conta que pode não haver deméritos em ritmos mais pausados.

 

A lentidão, que tanto nos exaspera, pode ser decisiva para a aprendizagem.

 

Conta-se que a família de Albert Einstein estava preocupada com a sua lentidão no percurso intelectual. Mas há quem diga que, se não fosse tão lento, não teria chegado tão longe.

 

Os pais chegaram a contratar um preceptor para o ajudar. O mesmo, aliás, é dito acerca de Tomás de Aquino. Nas aulas, estava sempre mudo. Os colegas suspeitavam que não acompanhasse a leccionação. Um deles ofereceu-se para o apoiar. Com espanto, verificou que estava tudo armazenado.

 

O sistema educativo não ser visto como a formatação estereotipada das pessoas. Fundamental é descobrir o dom, respeitar a cadência e estimular as capacidades.

 

Nos moldes que, hoje, predominam, Einstein e Tomás teriam alguma dificuldade em obter boas classificações.

 

E, no entanto, foi graças à sua lentidão e introspecção que chegaram aonde chegaram: aos patamares mais elevados do saber!

publicado por Theosfera às 19:47

De Evágrio Pôntico a 7 de Agosto de 2011 às 16:48
Concordo em absoluto com o que diz, Senhor Padre João.

De facto, o nosso Ensino oficial ainda está muito atrasado... Valoriza os espertinhos, os "desenrascados", os que obtêm, aparentemente, resultados rápidos...

O sistema não dá valor aos sensatos, aos prudentes, aos que pensam, aos que se interrogam... Minimiza (quando não ridiculariza...!) os que agem com espírito de sã consciência e procuram a verdade...

Quanto sofre esta gente boa e honesta, nesta sociedade de aparências e de vaidades! E de safadezas...
Que se poderá fazer para inverter isto...?! Mas nós não somos deste mundo...

Paz e Bem.

De Theosfera a 7 de Agosto de 2011 às 19:13
Obrigado, bom Amigo. O problema é que, para ser diferente, fica-se afectado no êxito (como aluno) e na carreira (como docente). A mediocridade é cruel e o nosso sistema é superlativamente medíocre. Não conheço a via, mas algo tem de ser feito. Que ao menos olhemos para os sábios. E que deixemos as pessoas serem livres, ou seja, pessos. Abraço amigo no Senhor Jesus.

De Anónimo a 10 de Agosto de 2011 às 00:09
Já não existe sistema educativo, agora recebe a designação escamoteada de política, mesmo política, educativa na máxima "favor paga favor"! Não me admira nada daqui a uns tempos os pais pedirem ao presidente da câmara para que os seus filhos transitem de ano! Está um caos, só quem por lá anda sabe dos verdadeiros assaltos à integridade, à justiça, à lealdade, à retidão, etc., etc... Mas quem quer saber disso? Isso não dá cadeiras almofadadas a ninguém, bem pelo contrário, ainda é puxada a desconfortável que se tem!

Beijinho sereno

De Theosfera a 10 de Agosto de 2011 às 00:22
Tem toda a razão. Quando a mediocridade se erige em poder, a seriedade e a competência passam à clandestinidade. Mas terão sempre guarida nas pessoas de coragem. E a melhor escola é o exemplo. Pela educação passa, em grande medida, o problema da sociedade. Pela educação terá de passar a solução para a sociedade. O que se pede à política é que não interfira muito. Será possível? Muito obrigado pela visita. Abraço amigo no Senhor Jesus.


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