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Sábado, 06 de Agosto de 2011

1. Deve ser difícil haver um país com tantos programas de comentário como Portugal. Só que o espectro dos comentadores reduz-se praticamente a três áreas: políticos, jornalistas e economistas.

 

Quase não se vêem intelectuais a falar na televisão ou a escrever na imprensa generalista. As excepções serão Eduardo Lourenço, José Gil e Boaventura Sousa Santos.

 

Há quem alegue dificuldades na comunicação com o grande público. E não escasseia quem alvitre falta de apetência do cidadão comum pela linguagem mais elaborada dos intelectuais.

 

Dir-se-ia que o intelectual tem dificuldade em descer da cátedra. E que o homem comum não consegue sair da conversa da rua.

 

Este desencontro faz com que o nível do debate seja muito primário e pouco criativo.

 

 

2. Não é, porém, o que sucede lá fora. Há países onde os intelectuais estão na moda. Filósofos, sociólogos e antropólogos são requistados não só para palestrar nas universidades, mas também para intervir em conversas de café.

 

Alguns nomes, apesar de habituados à complexidade do raciocínio, tornaram-se mesmo fenómenos de popularidade.

 

É o caso de Gilles Lipovetsky, Zygmunt Bauman, Peter Singer, Alain Badiou, Bernard Henry-Lévy, Umberto Eco, Fernando Savater, Mário Vargas Llosa ou Luc Férry.

 

Mas, actualmente, o caso mais célebre é, sem dúvida, o de Slavoj Zizek.

 

Tudo nele é atípico, a começar pela proveniência. Não nasceu num dos países com tradição na Filosofia. É esloveno e não é nada convencional: nem no discurso nem sequer na forma de trajar.

 

Assume como tarefa prioritária não tanto afirmar como questionar, pôr em dúvida.

 

Ao contrário do que sucede em Portugal, onde as especialidades parecem triunfar, Zizek está cônscio de que «o leque de opções profissionais para os filósofos nunca foi tão grande. Podem fazer tudo, até dirigir bancos».

 

Hoje, é cada vez mais necessário não só conhecer, mas sobretudo saber e cruzar saberes.

 

Zizek faz nos cafés, nos jornais e nas ruas o que Sócrates fazia no seu tempo: conviver com as pessoas e debatendo com elas. É por isso que os interesses dos intelectuais têm de confinar com os dos outros: a política, a ciência, o desporto, a fé, a arte, etc.

 

As ideias têm de ser discutidas abertamente e não apenas dissecadas em circuitos fechados.

 

 

3. Portugal não é muito propenso a este debate aberto porque, como assinala o Prof. António Pita, «temos receio do desacordo, confundimos o formular de uma crítica com magoar ou ser magoado pelo outro».

 

Zizek atribui à crescente despolitização a tendência para que as acções governativas sejam vistas como meros actos administrativos. Os tecnocratas prevalecem. O discurso amolece.

 

A distância entre o possível e o impossível propende a aumentar. Hoje em dia, «qualquer pessoa pode viajar até ao espaço, todos os meses são anunciadas novas descobertas contra o cancro e fala-se até em novos avanços para alcançar a imortalidade. Ao mesmo tempo, em todos os telejornais, vemos políticos e economistas a explicarem que não há dinheiro para a segurança social».

 

Estamos mais perto do impossível sonhado do que do possível urgente?

 

O sistema capitalista, que Zizek não verbera de todo, está a aproximar-se do seu grau zero. Há sinais preocupantes: a crise ecológica, os desequilíbrios do sistema económico, a revolução biogenética e as divisões sociais explosivas.

 

 

4. Na sua última obra (Viver no fim dos tempos), propõe «um espaço utópico potencial», que pode passar por uma refundação de uma parte da palavra comunismo: o que é comum.

 

É que a humanidade perdeu o foco. A religião continua a ser pretexto de guerra. O mundo ideal, o americano, revelou-se inadequado e o rival, o mundo oriental, tornou-se o nosso melhor aliado. Isto apesar de o poderio económico chinês esconder a democracia.

 

Para Zizek, o mundo está mais perigoso. Mas não deixa de se manter promissor. Importa não descrer. Nem desistir.  

publicado por Theosfera às 00:01

De António a 6 de Agosto de 2011 às 02:16
Não acredito na utopia do Capitalismo e também não acredito nos sistemas totalitários, ditos " comunistas", de tão má memória.

Mas acredito que a socialização crescente da economia, nos sectores essenciais da Saúde, da Educação, da Cultura, da Justiça, do Desporto, do Lazer, são pilares fundamentais de uma sociedade justa e moderna.

Ora, esse desiderato só pode ser alcançado se todos nos habituarmos a cooperar e a partilhar.

O Cristianismo de Jesus de Nazaré poderia dar um fortíssimo contributo para que, na dimensão da redistribuição da riqueza, nos víssemos todos como irmãos.

Mas esse genuíno Jesus de Nazaré tem sido constantemente torpedeado por muitos que andam sempre com Deus na boca e o Diabo no coração.

E o resultado dessa deriva intrinsecamente anti - cristã, disfarçada de " catolicismo" ultramontano gerou os resultados deploráveis que as sociedades " cristianizadas" apresentam:

" Cristianismo ? Tudo bem, desde que me deixem ficar com todos os meus bens e não elevem os impostos sobre o património e as mais valias especulativas "


De Theosfera a 6 de Agosto de 2011 às 06:15
É verdade, bom Amigo. Quando o Cristianimo não explode pela partilha implode pelo egoísmo. O que afecta a credibilidaded é a ausência de partilha. Obrigado por tudo. Abraço amigo no Senhor Jesus.


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