O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Quarta-feira, 03 de Agosto de 2011

Importante, dizia Zubiri, não é possuir a verdade, mas deixar-se possuir pela verdade.

 

Quem está em condições de possuir a verdade? A verdade que dizemos possuir não passa de um conjunto de palavras que a procuram indicar.

 

No fundo, é sobre palavras que discutimos. É por causa de palavras que combatemos. É por causa de palavras que condenamos. E matamos.

 

As guerras começam por palavras, pelas palavras de uma declaração de guerra.

 

As palavras são um esforço de aproximação da verdade, mas alguém pode garantir que elas esgotam a verdade?

 

A verdade está sempre além das palavras que a pretendem descrever.

 

Há uma certa transcendência da verdade que as palavras procuram imanentizar, mas nunca conseguem presencializar completamente.

 

Não diria que há uma incompatibilidade total entre a verdade e as palavras. Mas não há dúvida de que há uma distância que nunca é inteiramente percorrida.

 

Há que ser cauteloso e humilde no uso das palavras e procurar outros recursos de aproximação à verdade.

 

A verdade está mais no silêncio do que na palavra.

 

O silêncio pode erguer os seus muros, mas as palavras opõem também as suas barreiras.

 

O silêncio pode esconder muita coisa, mas as palavras também não revelam tudo.

 

A verdade mora, algures, no silêncio. Não sabemos exactamente onde.

 

No silêncio abraçamos melhor a verdade que, também ela, habita no silêncio.

 

As palavras tentam captá-la e procuram transmiti-la. Mas dificilmente conseguem expressá-la.

 

Pelas palavras podemos procurá-la. Mas só no silêncio a conseguiremos encontrar.

 

Mesmo quando encontramos a verdade, nunca encontramos a palavra exacta para a dizer.

 

Jamais ultrapassaremos a inopia vocabulorum (miséria das palavras). Uma permanente gaguez acompanhar-nos-á. Até ao mergulho eterno no silêncio clarificador.

publicado por Theosfera às 10:36

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