O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Terça-feira, 02 de Agosto de 2011

1. O grande problema do nosso tempo é que as identidades tendem a ser cada vez menos inclusivas e cada vez mais excludentes.

 

Depreendemos, com belicosa facilidade, que pertencer a algo implica, automaticamente, rejeitar o restante.

 

Isto contraria, flagrantemente, o dinamismo da globalização.

 

O nosso tempo é confontado com questões globais mas é também condicionado por particularismos locais.

 

Nunca, como hoje, tivemos a percepção de que fazemos parte de um único mundo, mas também nunca, como hoje, houve nacionalismos tão acirrados.

 

 

2. É claro que tem de haver sempre uma articulação entre o todo e a parte. O drama é quando, em vez de decidirmos a parte à luz do todo, acabamos por decidir o todo à luz da parte.

 

Aprendemos, desde Aristóteles, que a verdade está no todo. Mas vamos apreendendo que a decisão se encontra cada vez mais nas partes.

 

Ora, isto gera um ambiente de sectarismo e uma atitude de pressão que prejudicam o discernimento e obscurecem o sentido do agir.

 

Os últimos acontecimentos são, a este respeito, reveladores. Preocupantemente reveladores, diga-se.

 

Há visões parcelares, até bastante minoritárias, mas muito activas, acabando por liderar o curso dos factos.

 

O acordo que, no limite, livrou os Estados Unidos de entrar em incumprimento gerou alívio, mas não evitou insatisfação. Todas as negociações, dizem, foram impostas por grupos radicais.

 

O que aconteceu na Noruega representa também uma visão ultraminoritária, mas acabou por se mostrar estrondosamente eficaz.

 

 

3. Estamos confrontados com uma situação explosiva: a globalização para muitos não passa do alargamento do seu particularismo; quando este não é aceite, parte-se para a violência.

 

Assusta anotar a extensão dos particularismos que, hoje em dia, estão em presença. Temos não só particularismos nacionais, mas também particularismos regionais, particularismos empresariais, particularismos ideológicos, particularismos religiosos e até, como se viu no caso da Noruega, particularismos pessoais.

 

A dificuldade não está na sua existência. Cada entidade é legítima, cada instituição é singular e cada pessoa é única.

 

A dificuldade está na ausência de uma plataforma de coexistência sadia e de uma cooperação fecunda.

 

A dificuldade está na propensão para sobrepor, a qualquer preço, o particular ao global e na rejeição, quase sempre violenta, de outras particularidades.

 

 

4. A experiência mais elementar contém um precioso ensinamento, que urge apreender.

 

Ter um amigo não impede que se tenha mais amigos. 

 

Infelizmente, somos tributários de uma concepção que faz das identidades factores de exclusão, quando elas deveriam ser instrumentos de inclusão.

 

Pertencer a um clube não implica que não se simpatize com outros clubes. Pertencer a um partido não obriga a que não se reconheça pertinência a outros partidos.

 

É chegada a hora de perceber, de uma vez para sempre, que pertencer a uma religião é pertencer a toda a religião, que pertencer a um país é pertencer a todo o mundo, que pertencer a uma família é pertencer a toda a humanidade.  

publicado por Theosfera às 10:32

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