O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Segunda-feira, 01 de Agosto de 2011

O tema era a crise e a maioria dos intervenientes era composta por gestores e especialistas em negócios.

 

Mas a sexta conferência do semanário Expresso contou também com a presença de um padre.

 

Frei Fernando Ventura, fazendo uso de um grande desassombro e driblando a teia de lugares-comuns, foi lesto a reconhecer que a crise fora-lhe sempre familiar: «A Igreja esteve sempre em crise».

 

Reportando-se a Portugal, estabelece um paralelismo entre a relação com a fé e a relação com a cidadania: «Portugal é um país de católicos não-praticantes, mas também de cidadãos não-praticantes».

 

Tocando no punctum saliens, sustenta que, hoje em dia, «há muito eu; o eu foi-se solteirizando». Também as religiões «precisam de dar o salto da sua tribalização».

 

Nota, certamente como um dos factores para esta situação, «uma certa destruição da formação das novas gerações», designadamente com o quase desaparecimento das disciplinas de Artes, Filosofia, História e Música. Isto «pode afectar a capacidade de pensar, que de repente quase desaparece».

 

A nossa vida decorre «entre o real , o possível e o ideal. Este é o tempo da luta entre real e o possível, mas nós queremos passar do real para o ideal».

 

Voltando à ideia inicial, assevera que «este é um tempo de crise religiosa e das religiões. É preciso que se perceba definitivamente que Deus não tem religião».

 

De facto, a religião é uma instituição humana (se possível, humanizante) que visa aproximar de Deus, fazendo crescer os seus membros na humanidade.

 

O problema, acrescento eu, é se a religião não tem Deus. Ou seja, se a religião não faz transparecer Deus.

 

Há uma espécie de apropriação de Deus que, por contraste, O ofusca. Por uma questão elementar: ninguém se pode apropriar de Deus e, já agora, ninguém se devia apropriar do Homem.

 

Deus e o Homem são para servir; não para amestrar.

 

Quando se perde a prioridade do mistério, quando não se faz eco da aspiração espiritual, quando não se promove a fraternidade, quando se enfatiza o poder, a presença de Deus fica obscurecida.

 

O que vale é que, como advertia Lutero, Deus quando mais Se esconde mais Se revela.

 

Os tempos de obscuridade não são insentos de alguma luz.

 

Viktor Frankl é um dos que fala da presença soterrada de Deus na vida humana.

publicado por Theosfera às 10:02

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