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Sábado, 30 de Julho de 2011

Turismo religioso é uma expressão que se tem difundido, mas que não deixa de ser potencialmente equívoca.

 

Originalmente, procura identificar um importante segmento da actividade turística: edifícios, peças e iniciativas de natureza religiosa.

 

No plano arquitectónico, há muitas terras cuja oferta turística é de natureza quase exclusivamente religiosa.

 

Não é preciso ser religioso para reconhecer a importância deste património. Uma parte considerável deste tem estatuto de monumentos nacionais.

 

Qualquer turista defende que cada espaço deve ser respeitado de acordo com a sua identidade.

 

Nenhum turista mininamente esclarecido deitará papéis num jardim ou lixo numa floresta.

 

Não se espera, hoje, que se vá de fato para a praia.

 

Se o turista for a uma mesquita ou a uma sinagoga, sabe como estar. Ou, pelo menos, é informado acerca disso.

 

Sucede que, nas igrejas, está a tornar-se habitual uma crescente dessacralização. E não me refiro apenas (nem principalmente) ao modo de vestir. Refiro-me sobretudo ao modo de estar.

 

Há quem fale alto. Há quem não cuide de saber se está a decorrer alguma celebração. E, se está, não falte quem tire fotos atrás de fotos, colocando-se até de costas para o altar.

 

Eu sei que não é por mal. Mas o problema está na falta de respeito pela natureza do lugar e pela fé das pessoas que estão concentradas. Obviamente, o ruído e o flash das fotos perturbam.

 

Por um lado, percebe-se. A expressão diz (quase) tudo. Turismo religioso substantiva o turismo e adjectiva o religioso. Ou seja, a pessoa tende a assumir-se como turista esteja onde estiver, aconteça o que acontecer.

 

Mas não é correcto. Não se espera que se esteja numa esplanda como se está numa igreja. Mas a inversa também é verdadeira.

 

E, a propósito, vale a pena evocar o testemunho de um apresentador de televisão, que se apresenta como agnóstico.

 

Tendo ido visitar uma aldeia, pediu para lhe abrirem a igreja. Notando como as senhoras falavam, não ocultou o seu espanto: «Então eu, que sou agnóstico, falo baixo e as senhoras, que são católicas, falam nesse tom?»

 

De facto, não é preciso ter fé para ter respeito. Basta que se tenha bom senso.

 

Tudo isto, porém, emerge da cultura do não-lugar que, segundo Marc Augé, pauta a época em que vivemos.

 

As pessoas tendem a perder as referências. E transportam os comportamentos de uns locais para outros, numa indeterminação crescente.

 

Na era do informalismo e do ruído, não podemos esperar muito.

 

Mas com discernimento tudo se conseguirá.

publicado por Theosfera às 13:42

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