O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Quarta-feira, 20 de Julho de 2011

São de respeitar as regras que apuram a santidade dentro da Igreja.

 

Mas existe, no fundo de cada um, uma sensibilidade pelo que é santo a que importa estar atento.

 

Trata-se de uma santidade como integridade, autenticidade, sentido de justiça, rectidão, verdade e bondade.

 

Trata-se de uma santidade que não abandona o humano. Pelo contrário, radicaliza o humano.

 

Trata-se de uma santidade que faz com que encontremos clareiras de Deus no contacto de certas pessoas.

 

Pode ser uma santidade que salta os cânones, sem os ferir ou contestar.

 

É uma santidade cujos milagres são os gestos que tanto apaziguam como interpelam.

 

Não deixa de ser curioso notar como, nestes tempos pós-modernos, alguém como Mandela seja chamado santo. Alguém contesta? Contesta o próprio. Não se considera santo...a não ser na medida em que se sente um pecador que não desiste de tentar.

 

Também no século XIX, refractário a muitas normas eclesiásticas, Eça falava de Antero de Quental como de um santo: «um génio que era um santo».

 

Alguém pode sentir-se transtornado como é que um suicida seja assim qualificado. Só que julgar não é para humanos.

 

Genuinamente humano foi o carácter de Antero, carácter «heroicamente íntegro», como refere Eça.

 

Antero viveu como um monge recluso, mas não indiferente.

 

Tinha um coração dourado, que respirava Deus.

 

Apesar de se sentir abandonado por Ele, muitos O viram nele.

 

E não será um verdadeiro milagre produzir um poema como este?

 

 

Num sonho todo feito de incerteza,
De nocturna e indizível ansiedade
È que eu vi o teu olhar de piedade
E (mais que piedade) de tristeza...

Não era o vulgar brilho da beleza,
Nem o ardor banal da mocidade...
Era outra luz, era outra suavidade,
Que até nem sei se as há na Natureza...

Um místico sofrer... uma ventura
Feita só de perdão, só da ternura
E da paz da nossa hora derradeira...

Ó visão, visão triste e piedosa!
Fita-me assim calada, assim chorosa...
E deixa-me sonhar a vida inteira!

 

Uma pena destas só pode ter vindo do Céu. Tem inspiração etérea e respiração celestial.

Quantos terão falado tão belamente da Mãe de Deus?

 

publicado por Theosfera às 23:26

De António a 21 de Julho de 2011 às 21:16
Deus está em cada um de nós e, em Nelson Mandela, de forma particularmente visível...

De Theosfera a 21 de Julho de 2011 às 22:06
Subscrevo inteiramente o que diz, bom Amigo. Abraço grande no Senhor Jesus.


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