O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Quarta-feira, 20 de Julho de 2011

Não sou dos que dizem que Jesus Cristo terá sido o primeiro comunista.

 

Há, desde logo, uma diferença quanto à mundividência. A mundividência de Jesus é espiritual e a de Marx é materialista.

 

E existe também uma distância no método. Jesus defende o amor ao próximo, incluindo o amor aos inimigos. Marx propugna a luta de classes.

 

Há, porém, uma inspiração semelhante: a igual aposta na transformação da sociedade e a comum opção pelos pobres.

 

Depois, há um dado em que os especialistas convergem. Talvez o movimento comunista não tivesse tido o impacto que teve se a Igreja tivesse chegado mais cedo à questão operária.

 

Quando Leão XIII publicou a Rerum novarum, já o Manifesto comunista circulava há décadas.

 

Isto remete-nos para algo que Chenu sublinhava: a importância do acontecimento.

 

A precipitação não é boa conselheira, mas a lentidão exasperante também não ajuda. Os acontecimentos não esperam por nós.

 

Importa, por outro lado, destacar um aspecto que merece atenção. Os contrários, quase sempre, se apoiam.

 

O êxito do comunismo teve muito que ver com a acção do capitalismo e com alguma inacção do Cristianismo.

 

Curiosamente, hoje volta a falar-se do regresso de Marx por causa da falência do capitalismo.

 

O Prof. Leandro Konder destaca este elemento. Uma sociedade tremendamente desigual gera o desconforto e o desejo de alternativas.

 

É claro que ninguém aspira pelo marxismo sem liberdade. Uma certa nostalgia por Marx funciona sobretudo como desencanto pela situação presente.

 

Tudo isto mostra que a dimensão da utopia não desapareceu completamente. Uma sociedade sem Estado, sem egoísmos exacerbados e com elevado nível de participação de todos é algo que continua a morar no coração das pessoas.

 

O próprio pensamento marxiano não deixará de encetar um processo de reforma. É importante estar atento aos sinais que brotam.

 

O preconceito é que não traz nada de bom. Mas aqui é que está a dificuldade. É que, como já dizia Einstein, «é mais fácil desintegrar um átomo do que um preconceito».

 

Difícil. Mas não impossível.

publicado por Theosfera às 23:08

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