O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Segunda-feira, 18 de Julho de 2011

A Europa já passou por muitas dificuldades e conseguiu sempre superá-las.

 

Creio que não vai ser desta vez que ela vai fenecer.

 

Mas impressiona o clima de resignação que se atravessa em alguns espíritos.

 

E, acima de tudo, espanta a falta de solidariedade que sobressai ao mais leve sinal.

 

A Alemanha, que já mereceu a ajuda europeia em diversas ocasiões, passa uma imagem de enfado pelo que ocorre sobretudo no sul.

 

E, no entanto, há quem garanta (como o fez, ontem, o Presidente do Fundo Europeu de Estabilização Financeira) que a Alemanha está a ganhar com os resgates das dívidas de Portugal e da Irlanda.

 

Até hoje, disse Klaus Regling, «só houve ganhos para os alemães, porque recebemos da Irlanda e de Portugal juros acima dos refinanciamentos que fizemos e a diferença reverte a favor do financiamento alemão».

 

Esta ajuda está a ser, portanto, um grande negócio. Mas nem todos se revêem nesta astúcia.

 

Helmut Kohl, já retirado da vida pública, considera as políticas europeias de Angela Merkel «muito perigosas» e foi ao ponto de confessar que a sua sucessora «está a destruir a minha Europa»!

 

Confirma-se, uma vez mais, que um dos principais factores indutores da perpetuação da crise é a mediocridade das actuais lideranças.

 

Um parceiro da coligação que governa a Alemanha terá confidenciado que a chanceler, antes de decidir, procura apurar o sentir da população. Se o eco for de 50-50, opta por não decidir.

 

Faz lembrar o que se contava acerca de Franco, que tinha, na secretária, duas pilhas de documentos por assinar: não assinava uns porque o tempo tudo resolveria e não assinava os outros porque o tempo nada solucionaria.

 

Só que, a ir por este caminho, a Alemanha continuaria dividida. Kohl pertenceu a uma estirpe de líderes que não estiveram à espera dos acontecimentos. Foram eles que fizeram os acontecimentos...acontecer.

 

Já lembrava Viviane André na célebre composição: «Quem sabe faz a hora, não espera acontecer»...

publicado por Theosfera às 10:19

De António a 18 de Julho de 2011 às 13:58
Até hoje foi o Capital a dar cartas. As empresas de notação financeira que cotaram os mediadores especulativos, antes do surgimento da crise global, a partir dos EUA, em níveis superiores de avaliação, são exactamente as mesmas que, presentemente, qualificam Portugal de " lixo".

Klaus Regling só vem confirmar que o " jogo" dos mais fortes se mantém e que a podridão do Capitalismo Financeiro é intrínseco à sua natureza estrutural.

Quando vejo alguns sectores políticos europeus a pretenderem introduzir o Cristianismo como elemento fundacional da Europa, constato que o desplante hipócrita atinge pontos da maior falta de decoro.

O Cristianismo parece que serve para tudo, menos para seguir os ensinamentos de Jesus de Nazaré.

A Europa está num pântano de águas pútridas.

Agora só falta saber qual vai ser a resposta do Trabalho às diatribes do Capital.


De Theosfera a 18 de Julho de 2011 às 14:05
Muito obrigado, bom Amigo, por todas estas considerações, sempre oportunas. O mundo precisa de mudar de paradigma. Abraço amigo no Senhor.

De Evágrio Pôntico a 19 de Julho de 2011 às 02:28
Tem razão, Sr. Padre João.
Vê-se bem que as lideranças na Europa são medíocres. Eu acrescentaria: e sem valores, culturalmente muito deficientes, sem preparação mínima para tão elevadas funções. E, pior: corruptas...

Basta olhar para o que aconteceu em Portugal. Basta olhar para Zapatero, uma figura de tão baixo nível, que nem vale a pena classificar. Sarkozy, também anda por aí... E Berlusconi, um milionário imoral, que só pensa em orgias, e se julga, pela posição que ocupa, a coberto de qualquer sanção legal...
E a Alemanha governada por personalidade tíbia e ignorante…

Enfim... com gente desta, que não é exemplo para ninguém, que não sabe o que anda a fazer, que não tem espírito nem chama… que se pode esperar da Europa…?! Estadistas como De Gaulle, Churchill, Salazar, Franco, Aldo Moro, Andreotti, Helmut Kohl… não têm, infelizmente, sucedâneos, nem epígonos… e a Europa afunda-se…

Paz e Bem.

P.S. A canção que refere é de Geraldo Vandré, poeta e músico brasileiro.


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