A Europa já passou por muitas dificuldades e conseguiu sempre superá-las.
Creio que não vai ser desta vez que ela vai fenecer.
Mas impressiona o clima de resignação que se atravessa em alguns espíritos.
E, acima de tudo, espanta a falta de solidariedade que sobressai ao mais leve sinal.
A Alemanha, que já mereceu a ajuda europeia em diversas ocasiões, passa uma imagem de enfado pelo que ocorre sobretudo no sul.
E, no entanto, há quem garanta (como o fez, ontem, o Presidente do Fundo Europeu de Estabilização Financeira) que a Alemanha está a ganhar com os resgates das dívidas de Portugal e da Irlanda.
Até hoje, disse Klaus Regling, «só houve ganhos para os alemães, porque recebemos da Irlanda e de Portugal juros acima dos refinanciamentos que fizemos e a diferença reverte a favor do financiamento alemão».
Esta ajuda está a ser, portanto, um grande negócio. Mas nem todos se revêem nesta astúcia.
Helmut Kohl, já retirado da vida pública, considera as políticas europeias de Angela Merkel «muito perigosas» e foi ao ponto de confessar que a sua sucessora «está a destruir a minha Europa»!
Confirma-se, uma vez mais, que um dos principais factores indutores da perpetuação da crise é a mediocridade das actuais lideranças.
Um parceiro da coligação que governa a Alemanha terá confidenciado que a chanceler, antes de decidir, procura apurar o sentir da população. Se o eco for de 50-50, opta por não decidir.
Faz lembrar o que se contava acerca de Franco, que tinha, na secretária, duas pilhas de documentos por assinar: não assinava uns porque o tempo tudo resolveria e não assinava os outros porque o tempo nada solucionaria.
Só que, a ir por este caminho, a Alemanha continuaria dividida. Kohl pertenceu a uma estirpe de líderes que não estiveram à espera dos acontecimentos. Foram eles que fizeram os acontecimentos...acontecer.
Já lembrava Viviane André na célebre composição: «Quem sabe faz a hora, não espera acontecer»...

