O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Terça-feira, 05 de Julho de 2011

O ar parece amargurado, embora o tom se mantenha sereno.

 

Mikhail Gorbachev, numa entrevista que tem passado na RTP, confessa-se realizado, mas deixa no ar alguma tristeza.

 

Chegou ao topo com um propósito de mudança, mas quando em jogo estava sobretudo o poder.

 

Não fugiu à lei da história. Uma ditadura, quando se reforma, deforma-se. Deixa de ser o que é. Implode. Ou fazem-na explodir.

 

Gorbachev foi alguém conduzido pelos acontecimentos que, como ninguém, ajudou a desencadear.

 

É irónico que tenha sido um hiperconservador (como Andrei Gromyko) a incentivar a ascensão de Gorbachev.

 

Recordo a esperança que atravessou o mundo com a aurora daqueles tempos. Mas nem o mais optimista achava que 1989 seria o ano de todas as quedas. Como veio a dizer Edgar Morin, foi a omnifragilidade da omnipotência.

 

A hora da história pode mais que a força das armas. Em 1968, o socialismo de rosto humano, de Dubchek, foi esmagado. Vinte anos depois, a semente deu os seus frutos.

 

Gorbachev dava sinais de ser demasiado heterodoxo para assegurar a ortodoxia do regime que liderava.

 

Não espanta que (é a parte mais comovente da entrevista) que tenha assumido que a maior felicidade foi quando conheceu a sua esposa, Raissa. Trata-se de algo impensável para um sistema daqueles.

 

O amor entre os dois extravasou para a história.

 

No final, o amor vence sempre. Pena que seja apenas no final.

 

Só que em cada fim emerge sempre um novo começo.

publicado por Theosfera às 11:51

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