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Segunda-feira, 04 de Julho de 2011

A crise não começou com a escassez do dinheiro, embora da crise só nos tenhamos apercebido quando o dinheiro começou a faltar.

 

A crise já começara antes, mas quase ninguém quis prestar atenção a quem a tinha diagnosticado.

 

Thomas Moore, por exemplo, alertara, na década de 90, para «a perda da alma» como sendo a maior doença do nosso tempo.

 

É que, com a perda da alma, ficámos sem alternativa quando o dinheiro começou a faltar.

 

O vazio da alma torna ainda mais dolorosa a escassez de dinheiro.

 

Fomos alicerçando um estilo de vida para épocas de prosperidade.

 

Consciente ou inconscientemente, não nos imaginamos num padrão diferente.

 

E é por isso que, para espanto de muitos analistas, as instâncias de veraneio mais caras continuam lotadas, apesar do anúncio de medidas muito duras.

 

No fundo, o drama não é só que falte o dinheiro para o essencial. É que ele também não chegue para o acessório que se foi incorporando no nosso ser.

 

Uma coisa que surpreenderá é que o nosso perfil nas férias não difere muito do nosso perfil no resto do ano. As filas apenas mudam de direcção. As pessoas continuam a aglomerar-se nas praias, nos locais de diversão.

 

E o mais curioso é que muitos se mostram tão exaustos no fim das férias como no início das férias.

 

Nem nas férias se pára. Tudo decorre a enorme velocidade. É tudo rápido e muito ruidoso.

 

No trabalho ou no lazer, há uma enorme dificuldade em entrar na profundidade da pessoa.

 

Ora, a alma é essa profundidade de que nos fomos desabituando.

 

Se o padrão da nossa realização fosse outro, não estaríamos, a esta hora, tão deprimidos. Até porque daríamos conta de que, enquanto muitos estão ansiosos por não poderem manter o supérfluo, outros há que não vão assegurar o essencial.

 

A perda da alma levou-nos a apostar em força na fruição, na cultura do divertimento, descuidando o preceito da solidariedade e da partilha.

 

A presente crise está a destapar o engodo existencial em que nos deixámos enredar. Vemo-nos vazios, deslaçados.

 

Apostamos (quase) tudo no dinheiro. Ingrato, o dinheiro está a evaporar-se.

 

Eis uma realidade. Eis também uma possibilidade. O regresso à alma oferecer-nos-á surpresas inesperadas. Com menos, até seremos capazes de mais e melhor. Em nós. E (sobretudo) entre nós.

publicado por Theosfera às 16:44

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