O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Sábado, 02 de Julho de 2011

Os sociólogos parecem estar a tomar a dianteira do pessimismo. Tornaram-se leitores atentos da realidade e, mais, arriscam verbalizar o que vêem e o que sentem.

 

O que, talvez, mais se tem distinguido, entre nós, é António Barreto. As pessoas ouvem-no e lêem-no como um oráculo porque dá voz, com expressivo brilho, ao que nem sempre se quer ver.

 

Lipovetsty tem sido uma espécie de cicerone das mudanças em curso no nosso interior. Mas há mais. É justo que se mencione, por exemplo, Zygmunt Bauman.

 

Segundo ele, a nossa sociedade tornou-se um albergue de «turistas consumidores», onde a prioridade é fazer experiências e realizar todos os desejos de modo narcisista.

 

Trata-se de uma sociedade sem horizonte comum, sem grande preocupação pela solidariedade e pela valorização do outro. Tudo começa com surpresa. Tudo parece terminar com rapidez.

 

Já nem os relacionamentos entre as pessoas são sólidos. São até cada vez mais líquidos. Este é o tempo da «modernidade líquida».

 

Anselmo Borges faz-se eco, neste dia, do alerta de Baumam.

 

«Quando se instalou como valor primeiro o ter em vez do ser, começou a caminhada para o abismo. Por um lado, o ter; por outro, o individualismo.
 
O famoso sociólogo polaco Zygmunt Bauman, professor emérito da Universidade de Leeds (Reino Unido), chamou a esta situação "modernidade líquida". As nossas sociedades são individualistas, e nelas são precários os laços tanto íntimos como sociais. Diz ele: "Ao contrário dos corpos sólidos, os líquidos não podem conservar a sua forma, quando pressionados por uma força exterior, por mínima que seja. Os laços entre as suas partículas são demasiado fracos para resistir. Ora, este é precisamente o traço mais marcante do tipo de coabitação humana característico da 'modernidade líquida'. Daí, a metáfora que proponho."
 
Neste quadro, percebe-se a dificuldade de hoje para assumir compromissos de longo termo, pois não se quer restringir a futura liberdade de escolha. Daí a tendência para que "todos os laços que se dão sejam fáceis de desfazer, que todos os compromissos sejam temporários, válidos apenas até 'nova ordem'".
 
Cá está a dificuldade para manter o amor e a moralidade. Por um lado, quer-se um "parceiro leal e dedicado", mas, por outro, "ninguém se quer comprometer". E o cumprimento dos deveres morais "é custoso, não é uma receita para uma vida fácil e sem preocupações, segundo as promessas da publicidade para os bens de consumo"».
 
O diagnóstico é de uma clareza diáfana. Será que há coragem para adoptar a necessária terapia?
 
Não há decretos que valham. Só uma revolução no interior pode tornar tudo diferente, tudo melhor, tudo mais humano, mais fraterno, mais respirável.
publicado por Theosfera às 19:31

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