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Sábado, 25 de Junho de 2011

Os chineses costumam saudar as pessoas dizendo: «Que vivas tempos interessantes».

 

Interessantes são, sem dúvida, estes tempos, sobretudo se estivermos dispostos a captar a sua espessura, a sua profundidade.

 

O meu receio é que não passemos da epiderme, da superfície.

 

São tempos pós-modernos em que o pós-crise pouco difere da crise.

 

A superação da crise diverge em grau, mas não em natureza, da crise.

 

Tudo tem que ver com a gestão, com o dinheiro.

 

Temos casos emblemáticos à nossa frente.

 

A prioridade, que a governação mundial assume, não é tanto melhorar a vida das pessoas. É, antes, manter as contas em ordem.

 

E, de facto, a globalização entrou, há muito, numa nova fase.

 

O mundo já não é apenas uma aldeia. É sobretudo um mercado.

 

Os cidadãos são vistos como consumidores e tratados como clientes.

 

O novo executivo, a quem desejamos as maiores felicidades, é um retrato fiel dos novos (mas talvez não muito interessantes) tempos.

 

Predomina a opção pela gestão. E até, no plano da teoria, foram seleccionados especialistas nas ciências económicas.

 

O caso mais flagrante e o sinal mais eloquente encontram-se, porventura, na saúde.

 

O ministro até pode ter sensibilidade social, mas a sua formação e a sua trajectória centram-se na gestão.

 

A mensagem que passa é que o importante vai ser a contenção de gastos. Compreendemos a necessidade de poupar. Mas o fundamental não será a saúde das pessoas?

 

O Serviço Nacional de Saúde foi lançado por um jurista. Dizem que tal Serviço Nacional de Saúde é um dos responsáveis pela dívida do país.

 

Agora, que temos um gestor, será que a dívida vai ser atenuada? E a que preço?

 

O país não se afundou com o Serviço Nacional de Saúde. Será que se vai reerguer com a sua progressiva eliminação?

 

Alain de Touraine defende que precisamos, mais do que de gestão, de ideias. Eu acrescentaria que fundamental é reencontrar a alma.

 

O país é muito mais que uma empresa. E as pessoas são infinitamente mais que clientes.

publicado por Theosfera às 11:50

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