O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Terça-feira, 21 de Junho de 2011

Tempo de exames era o mesmo que tempo de recolhimento.

 

Tempos houve em que, numa altura como esta, nenhum ruído se desprendia das casas.

 

Eram tempos em que das janelas nada saía. Eram tempos em que às janelas quase nada chegava. Apenas uma ou outra brisa mais pausada se fazia ouvir. E até o rio mais distante depositava na alma o seu eco pacificante.

 

Tudo o mais era silêncio. Só silêncio. Sempre silêncio. Silêncio para estudar. Silêncio para dormir. E até as refeições eram quase em silêncio. Enquanto se deglutiam os alimentos, a mente ia digerindo os conteúdos assimilados. A cadência era semelhante.

 

Mas tudo muda. Uma aluna diz a um jornal deste dia que «fica mais motivada com muita gente a estudar». Outra aluna garante, no mesmo matutino, preferir «a confusão, pois em casa há demasiado silêncio»! 

 

Confesso que pasmo e admiro. Só uma mente privilegiada consegue abstrair-se, no meio da sobredita confusão, e assimilar matérias, exercitando a concatenação entre elas.

 

Eu pensava que o silêncio, bem tão raro, era algo procurado sobretudo numa época como esta. Sempre achei que, para estudar ou meditar, o silêncio é sempre pouco.

 

Pelos vistos, já nem para estudar o silêncio é requisitado.

 

Já me tinha apercebido de que até nas igrejas é preciso pôr música para ajudar a fazer silêncio. No fundo, é necessário ruído para abafar ruído: o ruído de muitos dos que lá estão.

 

Será que cada um é uma presença incómoda para si mesmo?

 

Sinal dos tempos. Andamos perto de tanta coisa, mas longe do centro de quase tudo. A começar por nós.

publicado por Theosfera às 11:24

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