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Segunda-feira, 20 de Junho de 2011

 1. Na hora que passa, as finanças podem ser o mais urgente. Mas não há dúvida de que a educação é o mais importante.

 

É ela que está a montante e a jusante de todas as crises. E é ela que tem de estar a montante e a jusante de todas os esforços para superar a actual crise.

 

 A educação não é só o ensino nem ocorre apenas na escola. A educação é também o comportamento. Por isso, deve começar em casa, o que não quer dizer que tenha de ficar à porta da escola.

 

 Também se ensina na família e também se educa na escola. Também se ensina quando se educa e também se educa quando se ensina.

 

 Acontece que, hoje em dia, passa-se cada vez menos tempo em casa e cada vez mais tempo na escola.

 

 A educação não pode estar ausente da casa, mas tem de estar cada vez mais presente na escola.

 

 

2. Uma enorme ebulição atravessa todo este universo. Como era de prever, as transformações sociais afectaram a família e a escola.

 

 Em vez de ser a educação a transformar a realidade, é apenas a realidade que transforma a educação.

 

Tem havido sucessivas reformas na educação. Porventura, é chegado o momento de reformar a própria reforma, de a repensar e de a desdogmatizar.

 

No balanceamento de avanços e recuos, é importante que se olhe não somente para o que se ganhou, mas também para o que se perdeu.

 

 Basicamente, perdeu-se a tradição e perdeu-se a autoridade. Esta percepção, que hoje salta à vista, era já verbalizada em 1957 por Hannah Arendt.

 

Ela achava que, «para preservar o que é novo e revolucionário em cada criança», é necessário ajudar a fazer a mediação entre o antigo e o novo. Ora, isso passa por «um extraordinário respeito pelo passado».

 

 Por sua vez, a autoridade encontra-se seriamente debilitada em função de uma equivocada concepção do princípio da igualdade.

 

 Tal concepção procura «igualar ou apagar, tanto quanto possível, a diferença entre dotados e não dotados, entre alunos e professores».

 

 

 3. A esta luz, são veiculadas algumas ideias que Hannah Arendt considerava perniciosas.  

 

 A primeira é a de que o mundo dos alunos é autónomo e que estes se podem governar a si próprios. O adulto será um mero facilitador da aprendizagem.

 

A autoridade com que ele se confronta é, em primeira instância, a da maioria do grupo. A reacção «a esta pressão tende a ser ou o conformismo ou a delinquência juvenil e, na maior parte dos casos, uma mistura das duas coisas».

 

 Outra ideia denunciada tem que ver com a separação entre a ciência do ensino e a matéria a ensinar. O professor não precisa de conhecer a sua disciplina. Basta que «saiba um pouco mais do que os seus alunos».

 

Finalmente, Hannah Arendt critica a ideia de que «não se pode saber e compreender senão aquilo que se faz por si próprio».

 

Uma decorrência desta ideia é a crescente substituição da aprendizagem convencional pelo jogo. «Considera-se o jogo como o mais vivo modo de expressão».

 

Sucede que este método acaba por manter a criança num nível infantil. Aquilo que «deveria preparar a criança para o mundo dos adultos é suprimido em favor da autonomia do mundo da infância».

 

 

4. Urge, portanto, vencer a nuvem de preconceitos que povoa o universo da educação.

 

É preciso reinstaurar o elo perdido entre a família e a escola.

 

É fundamental voltar a apostar no professor como mestre do saber e exemplo do agir. E é decisivo que não se ponha em causa a sua autoridade.

 

Sem autoridade quebra-se a confiança e compromete-se o êxito.

publicado por Theosfera às 15:13

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