O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Quarta-feira, 15 de Junho de 2011

Nas proximidades da solenidade da Santíssima Trindade, o mistério por excelência, somos, uma vez mais, confrontados com os limites da linguagem.

 

Para falar de Deus, a linguagem parece um estorvo. E, de facto, não é uma estrada muito plana. É, acima de tudo, uma via muito íngreme, acidentada.

 

Fala-se, habitualmente, da Trindade como um sistema de relações (geração, espiração, pericorese, circumincessão, agenesia, etc.).

 

Raimon Pannikar disse a um bispo africano, aflito por não conseguir transpor este discurso para os seus diocesanos, que ele era um homem cheio de sorte. É que, em relação a Deus, é muito mais o que não sabemos do que o que sabemos.

 

Já Tomás de Aquino aludia à miséria das palavras (inopia vocabulorum). Como lembrava alguém, só é possível compreender Deus se não O quisermos explicar. A Teologia será sempre gaga. Só por tímidos balbucios deixará escapar algo do muito que (não) sabe.

 

Para falar de Deus, resta-nos o amor. Agostinho de Tagaste dizia que o Pai é o amante, o Filho o amado e o Espírito Santo o amor. É uma concepção colada à matriz neotestamentária: «Deus é amor» (1Jo 4, 8.16).

 

Entretanto, Mestre Eckhart, com a irreverência mística do seu génio, chega à mesma conclusão usando a linguagem do...riso: «O Pai ri para o Filho e o Filho ri para o Pai, e o riso gera prazer, e o prazer gera alegria, e a alegria gera amor».

 

Sublime! E, sem dúvida, muito comovente! 

 

publicado por Theosfera às 19:43

De António a 15 de Junho de 2011 às 13:25
A questão de Deus será sempre eminentemente individual. Haverá sempre um momento em que cada ser humano, na intimidade da sua alma, decidirá se é crente, ateu ou agnóstico. Eu, por mim falo, tenho aprendido muito mais sobre Deus a ler David Hume,Robert Ingersoll ou Feuerbach do que quando li Tomás de Aquino.

Hoje, dou particular importância a três tipos de pensamento: aos místicos, aos deístas e aos cépticos.

Àqueles teólogos que fazem rebuscadas geometrias intelectuais, para tentarem explicar tudo àcerca de Deus até conciliar o inconciliável,também foram semente de grande aprendizado.

Contribuíram para procurar separar cada vez mais o trigo do jóio e para consolidar o que Deus não pode ser.

O agnóstico Thomas Henry Huxley tem uma frase lapidar:

"Toda verdade inédita começa como heresia e acaba como ortodoxia"

Jesus de Nazaré que o diga...

De Theosfera a 15 de Junho de 2011 às 16:11
Muito bem observado, bom Amigo. Obrigado por tudo. Abraço no Senhor Jesus.

De Maria da Paz a 15 de Junho de 2011 às 20:47
Ex.mo Senhor
Foi-me de muito proveito o "post" do Rev.mo Senhor Doutor João António, Autor deste magnífico "blog", e também a resposta de V. Ex.ª. Muito Obrigada a Ambos.
Maria da Paz

De Theosfera a 15 de Junho de 2011 às 22:23
Ex.ma Senhora Dra, muito obrigado pela vista e pela ressonância. Muita paz no Senhor. Abraço amigo.

De Licurgo a 16 de Junho de 2011 às 23:21
Lá vem de novo este Sr. António a zurzir no Doutor Angélico! Não perde uma oportunidade para criticar (com que fundamentos?) São Tomás de Aquino! Umas vezes, subtilmente, outras, de forma desabrida.O que é que sabe de tão profundo sobre o percurso do Santo, para arrogar-se poder ajuizar ex-cathedra da sua obra e da sua pessoa?!

De Sílvio S. Gomes a 16 de Junho de 2011 às 23:44

E São Tomás de Aquino sorri de tudo isto!
Cada um tem as suas preferências e afinidades... «assim na Terra como no Céu...»
E isto não significará menos respeito ou agressividade para com o Santo, que continua a sorrir (digo eu...) para todos nós. Até para os ignorantes (como eu) que nunca o leram.
São Tomás de Aquino nos valha!

De António a 19 de Junho de 2011 às 20:38
Senhor Licurgo:

Muito poderia dizer àcerca de Tomás de Aquino. Mas sugiro que averigue a razão porque ele disse, no final da sua vida, que tudo o que escrevera, segundo as suas próprias palavras, tinha sido um monte de palha.

Algumas dessas razões talvez se encontrem nesse livro deplorável e intrinsecamente anti-cristão, chamado Suma Teológica, nomeadamente no que respeita à instigação à morte na fogueira de todos aqueles que fossem considerados hereges.

E por aqui me fico.


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