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Quarta-feira, 01 de Junho de 2011

A discussão é sempre um enriquecimento. E, desse ponto de vista, a discordância oferece um ingrediente acrescido.

 

Nesta semana, estão a gastar-se os últimos argumentos para as eleições.

 

Desta vez, penso eu, não se apelou tanto ao putativo voto católico.

 

Aliás, um estudo recentemente aparecido mostra haver crentes (católicos incluídos) que são votantes de todos os partidos. De todos.

 

Hoje, surge um texto que faz uma tipificação do voto católico. Apesar de o considerar «saudavelmente inorgânico», situa-o no campo do chamado «centro-direita».

 

Aparecem alguns critérios, respeitáveis sem dúvida. Mas omitem-se outros padrões, igualmente decisivos.

 

Católico é, por definição, um conceito abrangente. Significa segundo o todo. Por isso é que, desde Aristóteles, se diz que a verdade é católica, ou seja, está na totalidade.

 

Mas como nenhum partido (até pela concepção) esgota a totalidade, é natural que a consciência de cada um faça o seu discernimento.

 

Esta, a consciência, é que é a instância suprema. Não pode haver nenhuma tutela ou espécie de direito de propriedade sobre os votos seja de quem for.

 

Cada partido tem as suas falhas. Cada partido transporta os seus valores.

 

Os princípios atinentes à defesa da vida e da família são, inquestionavelmente, importantes. Mas a justiça social e a opção preferencial pelos pobres são as balizas determinantes.

 

É preciso não perder de vista que certos partidos apontados como não católicos emergiram porque, a determinada altura, muitos católicos não assumiram como sua a defesa dos mais pobres, a solidariedade e a justiça.

 

Católico não é quem diz que é católico. É quem, na humildade e na coerência, procura pôr em prática o projecto de Jesus. O Qual, na pauta para o juízo final, é bastante claro: «Tudo o que fizestes ao mais pequenino dos Meus irmãos foi a Mim que o fizestes» (Mt 25, 40).

 

É pelo amor ao próximo que mostramos que somos discípulos de Jesus. Os princípios são, seguramente, necessários. Não tanto quando são enunciados. Mas sobretudo quando são vividos.

 

Em qualquer caso, não me parece curial encostar a doutrina de Jesus a qualquer quadrante ideológico ou a qualquer segmento político.

 

Não me parece que a mensagem libertadora de Cristo seja classificável por determinações ideológicas. O Evangelho não é da direita, não é da esquerda, não é do centro. Terá afinidades pontuais com propostas de cada um destes quadrantes, mas transcende em muito estes referenciais.

 

Diria que Jesus, não sendo da direita, da esquerda ou do centro, é do fundo. Do fundo da vida. Do fundo do ser. Do fundo da história. É a partir da profundidade que Ele emite uma energia transformadora. Jesus é, sobretudo, um saudável inconformista, um paladino da justiça.

 

Não é na mesa de voto que se deixa de ser católico. Mas a ponderação da condição de católico ao votar é da responsabilidade de cada um.

 

A consciência de cada um fará o juízo que lhe aprouver. O voto católico, para o ser, será, acima de tudo, um voto livre. Um voto responsavelmente livre.

publicado por Theosfera às 12:00

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