O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Terça-feira, 31 de Maio de 2011

Quando há um crime, imediatamente lamentamos a ocorrência e depressa fazemos um juízo e apontamos um culpado.

 

Sucede que, nestas alturas, esquecemo-nos de uma coisa.

 

A culpa não pode ser ignorada, mas a responsabilidade também não pode ser negligenciada.

 

E, regra geral, a responsabilidade é mais extensa que a culpa, abrange um número maior de pessoas e circunstâncias.

 

Fiódor Dostoiévsky, que perscrutou como poucos a profundidade da alma humana, previne: «Lembra-te de que não podes ser juiz de ninguém». É que, «se eu próprio fosse justo, talvez não houvesse um criminoso diante de mim».

 

Tal como o crime se repercute em mais crime, também a justiça se reproduz em mais justiça: «O justo morre, mas a luz dele sobrevive. Alguém se salva sempre depois da morte do salvador».

 

Enquanto persistir um criminoso, há motivos para temer o prosseguimento do mal. Mas enquanto sobreviver o último justo, não desaparecerá a esperança de que o bem, afinal, pode vencer.

 

Antes de julgar, julguemo-nos. Cabe-nos uma significativa quota parte de responsabilidade quer no mal que se difunde, quer no bem que se semeia.

publicado por Theosfera às 14:14

De António a 31 de Maio de 2011 às 14:36
Grande verdade afirmada neste seu belo texto, estimado Padre João António. Antes de julgarmos os outros, necessitamos sim de nos julgarmos. É possível que descubramos que somos piores do que pensamos, mas só a partir dessa difícil constatação, será viável evoluirmos.Abraço amigo...

De Theosfera a 31 de Maio de 2011 às 16:12
Obrigado, bom Amigo, pela ressonância. É por isso que Nuno Júdice tem razão quando diz que, nesta época de viagens, a úniva viagem que está por fazer é a viagem pelo interior de cada um. Mas só entrando dentro de nós podemos tomar consciência do que somos e lançarmos as bases do que podemos vir a ser. Abraço amigo no Senhor Jesus.


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