O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Quinta-feira, 05 de Maio de 2011

Nesta hora, o pior que nos pode acontecer, a par da desesperança, é a indiferença.

 

Por muito menos, há quem indigne muito mais.

 

Stéphane Hessel publicou um livro onde convida à indignação. O prefácio pertence a Mário Soares, famoso por ter defendido, em tempos, o «direito à indignação».

 

A bem dizer, trata-se de um opúsculo, o que prova que não é preciso a um livro ser grande para se tornar um grande livro.

 

Em vários países, tem sido um êxito editorial estrondoso, tanto mais que o autor já leva 93 anos de vida.

 

Começa por questionar a ideia de que «o Estado já não consegue suportar os custos das medidas sociais. Mas como é possível que, actualmente, não tenha verbas para manter e prolongar estas conquistas, quando a produção de riquezas aumentou consideravelmente» desde o fim da segunda grande guerra, «quando a Europa estava arruinada»?

 

A resposta vem pronta: «Porque o poder do capital nunca foi tão grande, insolente, egoísta, com servidores próprios até nas mais altas esferas do Estado».

 

Ou seja, enquanto, primeiro, se procurava colocar o capital ao serviço das pessoas, agora a tendência é para posicionar as pessoas ao serviço do capital.

 

No primeiro caso, o dinheiro é um instrumento. No segundo, o lucro é um fim. O fim supremo?

 

A história não muda quando as pessoas se deixam subjugar pelos seus receios. A história pode mudar quando as pessoas se deixam guiar pela indignação.

 

Não é preciso que toda a gente se manifeste. Basta que «uma minoria activa se insurja». Teremos, então, «o fermento necessário para levedar a massa».

 

A indiferença é a pior das atitudes. Não podemos presumir que as decisões são com os outros. O tempo é da política. Mas é sobretudo da cidadania.

 

Tudo isto tem de ser feito de modo não violento. É preciso aprender a conjugar a indignação com a paz.

 

Será possível?

publicado por Theosfera às 11:43

De António a 5 de Maio de 2011 às 13:53
No dia em que fosse possível organizar um fundo para apoio a uma greve geral europeia de uma semana, os manobradores do capitalismo selvagem aprendiam e as agências de notação financeira também.

Volto a repetir: enquanto o factor Capital se sobrepuser ao Trabalho, nunca mais teremos sossego nas nossas vidas, exceptuando alguns privilegiados politiqueiros e economistas, que se podem dar ao luxo de ir às televisões falar descaradamente em " flexisegurança" e similares indignidades.

E quem são esses que assim falam, defendendo as virtualidades do liberalismo económico " a outrance" ?

São exactamente aqueles que têm os empregos estatais mais seguros e as pensões de reforma mais chorudas.

Exactamente aqueles que tanto põem em causa o Estado Social mas que são os primeiros a lambuzarem-se com as respectivas mordomias...


De Theosfera a 5 de Maio de 2011 às 14:01
Tem toda a razão, bom Amigo. Isto resume-se a uma conjugação entre o cinismo de alguns e a anemia de muitos. Uns lucram e orpimem enquanto outros, embora tristes, vão consentindo. Um sobressalto cívco europeu não era nada má ideia. Abraço amigo no Senhor.

De Tiago M Franco a 18 de Maio de 2011 às 09:56
Gostava de acreditar que sim, mas não acredito que nos próximos anos as coisas mudem. É uma excelente obra, o autor disse mais nestas 30 paginas que muitos em 800 paginas.

De Theosfera a 18 de Maio de 2011 às 11:06
Obrigado pela visita. Pode ser que a esperança supere os temores. Se, como disse Charles Péguy, «a esperança espanta o próprio Deus», pode ser que nos surpreenda. Mas não é fácil. Concordo com a análise da obra. Em pouco diz mais do que muitos que escrevem muito. Abraço amigo no Senhor.


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