O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Segunda-feira, 02 de Maio de 2011

1. Já que, nesta conjuntura difícil, minguam as ideias, que, ao menos, não definhe a esperança.

 

Não se trata apenas de encontrar uma solução para a crise. Trata-se, antes de mais, de vislumbrar um sentido que nos permita lidar com a crise.

 

Vaclav Havel disse o essencial quando sustentou que «a esperança não é a convicção de que alguma coisa acabará bem, mas a certeza de que alguma coisa tem sentido, independentemente do modo como acabará».

 

Como referiu Eduardo Lourenço, Portugal assemelha-se a «um milagre contínuo». Estamos sempre a vacilar, mas ainda não caímos.

 

Na hora que passa, carecemos, sem dúvida, de ajuda exterior. Mas do que precisamos mesmo é de estímulo interior.

 

O auxílio mais precioso não é o que virá de fora. É o que partirá de dentro, o que arrancará do fundo. Do fundo da nossa história. Do fundo da nossa alma. Do fundo da nossa identidade.

 

 

2. O cenário que nos criaram obriga-nos a criar um novo espírito.

 

Cada um de nós sabe que vai contar menos com o Estado. Tem de passar a contar mais consigo e com os outros.

 

Temos, por conseguinte, de aumentar os índices de corresponsabilidade e de justiça.

 

Enquanto houver pessoas que não disponham do mínimo, a nossa consciência não nos pode deixar aspirar ao supérfluo.

 

Não é somente o Estado que tem o dever de acudir aos mais necessitados. Esse dever impende sobre todos os cidadãos.

 

 

3. Da classe política espera-se, acima de tudo, verdade e elevação.

 

Não é admissível que se passe o tempo a construir um discurso que se sobrepõe à realidade, ocultando-a.

 

A propaganda pode ajudar a vencer eleições, mas não contribui para resolver problemas. Só os agrava.

 

O discurso tem de mostrar aquilo que acontece sem estar à espera que a realidade se torne insustentável.

 

Depois, é preciso entender que nenhum cidadão pode ser apontado como adversário de outro cidadão.

 

Da diferença tem de vir sempre a pluralidade e nunca a animosidade.

 

Hoje em dia, é praticamente impossível encontrar plataformas de convergência entre os principais agentes políticos.

 

Numa altura em que o entendimento é mais necessário é que as clivagens parecem ser mais intransponíveis.

 

Sucede que uma diferença não é, necessariamente, um entrave à colaboração.

 

Raymond Aaron estabeleceu o princípio nuclear a este respeito: «A democracia é obra comum de partidos rivais».

 

 

4. É certo que o nosso país já passou por muitas fases complicadas.

 

Não é sequer a primeira vez que se fazem os diagnósticos mais pessimistas. E não será a última onde a nossa sobrevivência aparenta estar em risco.

 

Só que isto não pode ser visto como pretexto para descansar. Tem de ser encarado como motivo para mudar.

 

Porque sempre foi assim não quer dizer que sempre assim tenha de ser. Há que aprender com o passado e não desaprender com o presente.

 

Uma crise é sempre um alerta. A opção que, hoje, se coloca é se queremos acabar com ela ou se nos resignamos a acabar nela.

 

Estou certo de que, uma vez mais, iremos reassumir o nosso desígnio.

 

Embora Steiner avise que «já não temos começos», a experiência mostra que não estamos impedidos de recomeçar.

 

Aos nossos dirigentes só pedimos que não insistam em destruir pontes e em cavar muros. O futuro é uma construção demasiado grande para ser feita só por alguns.

 

A 5 de Junho, vamos escolher. Não vamos excluir. É importante que se assinalem as diferenças. Mas esta é a hora de juntar esforços.

 

Não ocultem, pois, as propostas que eventualmente vos separam. Mas, por favor, coloquem acima de tudo o país que nos une.

publicado por Theosfera às 11:42

De António a 2 de Maio de 2011 às 14:06
Otelo Saraiva de Carvalho acredita que Portugal precisa «de um homem com inteligência e a honestidade do ponto de vista do Salazar"

"Salazar foi uma pena, porque era um crânio em economia e finanças, podia ter feito maravilhas pelo povo, mas era um tipo de miopia política», concluiu

Otelo Saraiva de Carvalho

P.S. Há muito tempo que Portugal entrou em doença bi-polar e esquizofrenia paranóide. Otelo só o veio confirmar.

De Theosfera a 2 de Maio de 2011 às 14:15
O que espanta é que não emerge uma grande personalidade decente, tolerante. A nossa principal carência é essa. As personagens que, na nossa história, se impõem vêm, quase sempre, do lado da autocracia. Estaremos condenados a que só a arrogância nos dê alguma grandeza? Pequena grandeza então. Muito obrigado, bom Amigo, por mais este prestimoso comentário. Abraço no Senhor.

De António a 2 de Maio de 2011 às 14:52
Espanta sim, estimado Padre João António. O que se passará que em Portugal que não se nota hoje nenhuma personalidade política de relevo, com generalizada aceitação popular ?

O cidadão acaba por votar nos políticos existentes porque também não tem alternativas e eu sinto que vivo num país esquizofrénico.

Já me dei comigo a pensar para onde foi o Fernando Nobre da AMI, que já tanto admirei ? Será que alguma vez existiu ? Será que era sincero no que afirmava ? Será que fazia genuína filantropia ou o que fazia era com segundas e mais materialistas intenções ?

Ao ponto a que chegamos. De Otelo já nada me admira, ele que chegou a ser instrutor da Legião Portuguesa, depois partidário da social-democracia sueca, depois o que todos sabemos. Agora parece estar em deriva pró - salazarista . Se amanhã estiver a apoiar o PNR não me surpreende.

Mas o mal já vem de longe. São a conhecidas as escassas taxas de alfabetização do tempo da Monarquia,mas também as loucuras e intolerâncias após a implantação da República.

O trauliteiro Afonso Costa chegou a desafiar o seu colega de Governo António José de Almeida para um duelo e andou à estalada, entre outros, com Sampaio Bruno.

Portugal será um manicómio ?

Como é possível admitir que um partido com as responsabilidades de governação do PSD tenha chumbado o Pec 4 sem apresentar uma menos gravosa proposta , sem se preocupar minimamente que a entrada do FMI vá ser bem mais dura para nós todos do que o Pec 4 ?

Que gente é esta ?...

De Theosfera a 2 de Maio de 2011 às 16:02
Uma vez mais, tem toda a razão, bom Amigo. Mudar por convicção é normal e saudável. Mudar apenas por interesse é desolador e aviltante. Também penso que a raiz do problema estriba na educação. Tudo é vaporoso. Parece que estamos na estrada sem saber a direcção. Parece que não somos nós que andamos. Deixamo-nos arrastar pelos ventos: pelos ventos do interesse, do poder. É tempo de ter uma ideia e de ser uma esperança.
Obrigado por tudo. Abraço amigo no Senhor Jesus.

De Nuno Resende a 2 de Maio de 2011 às 17:56
Escolher? Entre os partidos? E quando é que os homens de bem compreenderão que foram os partidos que causaram esta situação? Que a democracia é diferente de partidocracia? Que antes dos cidadãos os partidos pensam nos seus eleitores?
Enquanto acharmos que o voto partidário é a solução para algo, nunca sairemos deste lamaçal.
Criar em nós uma consciência supra-partidária e civicamente interventiva, recusando a ideia de Direita vs. Esquerda, é um começo.
Cumprimentos,

De Theosfera a 2 de Maio de 2011 às 19:26
Concordo, bom Amigo. Um começo pode ser esse: «Criar em nós uma consciência supra-partidária e civicamente interventiva, recusando a ideia de Direita vs. Esquerda».
Mas parece-me que essa consciência supra-partidária não é o mesmo que uma acção anti-partidária.
Admito que nenhum partido convence. E apoio que a democracia é mais que a partidocracia. Mas, para já, os partidos são essenciais. Com os partidos não conseguimos muito, mas sem partidos não conseguiremos nada. A Lei Fundamental não oferece alternativas. O que se pode é tentar fazer outros. Aliás, é estranho que, ao contrário do que acontece noutros países, em Portugal, andamos sempre à volta dos mesmos. Mas parece-me que este sistema tem de ser totalmente reformulado. O actual modelo é endogâmico. Está completamente ensimesmado e totalmente esgotado. Muito obrigado pela participação. Abraço amigo no Senhor Jesus.


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