O problema do nosso país carece de uma intervenção rápida, mas precisa, ainda mais, de um tratamento longo.
Acresce que, só com a intervenção rápida, o problema subsiste.
A intervenção rápida chama-se capital material. O país precisa de dinheiro.
Palpita-me, porém, que esta vai ser uma reclamação que vamos fazer muitas vezes.
O tratamento longo tem que ver com os valores que perdemos, com os princípios que abandonámos, com a ética que fizemos evaporar.
Esse tratamento não se faz de um dia para o outro. Mas sem ele a degradação prosseguirá. Com a agravante de que nem nos aperceberemos da enfermidade.
Umberto Eco assinala que, agora, é que estamos verdadeiramente no vazio. No vazio vaticinado, há duas décadas, por Lipovetsky.
Um dos mais perigosos sintomas desse vazio é continuarmos a ver muita gente cheia de si.
Esbanjámos o importante. E andamos a desfrutar o urgente. Até quando?

