O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Quinta-feira, 17 de Março de 2011

No meio da catástrofe, não é só a destruição que se destaca. É também (e acima de tudo) a dignidade que resplandece.

 

Nem um país tecnologicamente omnipotente escapa à fragilidade.

 

Quando a natureza se revolta desta maneira, resta-nos acautelar os danos.

 

As consequências de um terramoto desta dimensão dificilmente serão evitadas. Quando muito, só poderão ser minoradas.

 

Este é o tempo de, como dizia Sebastião de Carvalho e Melo, enterrar os mortos e tratar dos vivos.

 

Mas há vivos que estão dispostos a morrer para que outros vivos não morram.

 

A central nuclear de Fukushima é uma ameaça séria. E sabemos que as radiações são potencialmente mortais.

 

Daí que seja espantoso saber que há cinquenta trabalhadores que permanecem dentro da central para tentar impedir uma tragédia de proporções incalculáveis.

 

Eles certificam que, afinal, não estamos perante uma omnifragilidade. Na fragilidade também está alojada muita força.

 

O risco de serem contaminados é enorme. A sua vida está em risco. E eles sabem-no.

 

Isto é de herói.

 

Realce também para a intervenção do imperador. Apelou à calma e à compaixão, termo muito caro a uma cultura de raiz budista.

 

Akihito nunca tinha feito uma declaração em directo na televisão. Sinal de que o momento é grave. Mas sintoma também de que ainda há quem resista (estoicamente?) à vertigem mediática.

 

O que aparece em demasia corre sérios riscos de se banalizar, de se desgastar.

 

O recato imperial encerra uma dose enorme de sabedoria. Que não deveria ser desperdiçada. Noutras latitudes.

publicado por Theosfera às 11:46

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