O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Quinta-feira, 17 de Março de 2011

A Igreja não é um fim. Nem é o fim.

 

Não é o objectivo que nos mobiliza. Nem é o termo para onde caminhamos.

 

A Igreja é um instrumento ao serviço do Evangelho e um meio de construção do Reino de Deus.

 

Espanta, por isso, a tentação do eclesiocentrismo. E fere bastante que se estacione tanto nos meios em detrimento do fim.

 

A resistência à mudança é, assim, um sintoma preocupante.

 

Se Jesus foi, essencialmente, um reformador, é com dificuldade que se assiste à reacção negativa às reformas. Isto apesar de, nos documentos oficiais, se reconhecer a necessidade da reforma e até da reforma perene.

 

Reformar é, a partir da etimologia, voltar a dar a forma. Ora, a forma da Igreja terá de ser sempre a forma de Jesus.

 

Ele é que é o critério, a norma, a referência.

 

Alguém pode sustentar que não é preciso melhorar as formas até agora encontradas?

 

Acresce que a Igreja transporta o eterno, mas está no tempo. E o tempo é o espaço da mutação.

 

A grandeza do divino é a capacidade de ser dito de formas tão diferentes.

 

Pedro Mexia admira-se porque as discussões da actualidade são as mesmas de há quarenta anos.

 

São os mesmos os apelos à mudança. E, segundo ele, são as mesmas as resistências à mudança.

 

Tais apelos, de resto, não tocam no perene. Não preconizam alterações doutrinais de fundo.

 

Limitam-se a reclamar uma maior participação e clamar por uma cultura da misericórdia.

 

Nenhuma das mudanças, refere Mexia, «toca no essencial, mas várias são decisivas neste momento histórico».

 

É salutar esta preocupação. O conformismo nunca motivou ninguém.

 

Importa ter presente que a mudança não é, necessariamente, uma cedência. E é bom que se compreenda que a fidelidade é muito mais que a resistência.

 

Decididamente, Deus é eloquente embora não goste de ser loquaz. Nunca deixa de falar, ainda que goste de se mostrar subtil.

 

E um dos locais onde a Sua voz mais se faz sentir é o tempo. É cada tempo, este tempo também.

 

Captar o sentido do tempo acaba por equivaler a perscrutar a voz de Deus.

 

Afinal, o espírito do tempo (zeitgeist) transporta-nos, invariavelmente, ao tempo do Espírito.

 

A Igreja não é uma redoma em que tenhamos de nos fechar. Tem de ser sempre uma janela que urge abrir.

publicado por Theosfera às 11:07

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