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Segunda-feira, 14 de Março de 2011

Os actos não entusiasmam. As palavras não ajudam.

 

As medidas anunciadas insistem no mesmo: vida mais difícil para o povo.

 

As palavras sobem de tom e a temperatura do descontentamento já vai alta.

 

Toda a gente pensa em eleições, mas ninguém quer assumir a iniciativa.

 

O Governo não se demite. A Oposição não chumba. O Presidente não dissolve.

 

Já houve dissoluções da Assembleia da República com governos maioritários. É natural que, em presença de um Governo minoritário, a dissolução esteja na cabeça de muitos.

 

Todos sabem, portanto, o que estará na iminência de acontecer. Mas ninguém parece querer desencadear o acontecimento.

 

Todos esticam a corda. Uns apresentam propostas que sabem que outros não vão aprovar.

 

Uns e outros sabem quais poderão ser as consequências.

 

Todos parecem querer as eleições, mas ninguém parece ficar com o ónus de as provocar.

 

É que, pelos sinais que emite, o povo não parece querer eleições. Prefere (e quase exige) que os partidos se entendam.

 

Nesta tempestade de palavras, o ambiente está longe de desanuviar. Perspectiva-se uma verdadeira trovoada de sacrifícios.

 

O essencial aparenta estar afastado: um entendimento alargado entre os partidos.

 

É lamentável que, numa altura destas, as instituições não funcionem.

 

Em 2009, o povo foi chamado a eleger um parlamento por quatro anos.

 

Dois anos depois, pede-se ao povo que se volte a pronunciar?

 

Ao não dar a maioria absoluta a nenhum partido, o que o povo disse foi que deveria haver um acordo entre vários partidos.

 

Um Governo minoritário não deixa de ser legítimo, mas é reconhecidamente mais frágil.

 

O mais preocupante é a sensação de que não existe rumo.

 

No sábado, as ruas encheram-se. Hoje, as estradas foram bloqueadas.

 

O país está deprimido. O povo está revoltado.

 

Há uma prolongada anemia na cidadania. Mas existe igualmente um endémico défice de qualidade na classe política.

 

Há quem veja o abismo muito perto. Não iremos cair nele. Mas quando nos afastaremos, definitivamente, dele?

publicado por Theosfera às 23:00

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