O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Quarta-feira, 19 de Janeiro de 2011

Xavier Zubiri escreveu que «o pulchrum é algo aberto e que a beleza nunca é algo fechado».

 

Tomás de Aquino, falando da música, escreveu que, «embora os ouvintes não percebam de quando em quando aquilo que é cantado, compreendem todavia por que motivo se canta: para louvar a Deus. E isso é suficiente».

 

E não é a beleza que, como inquiria Fedor Dostoievsky, há-de salvar o mundo? É que a Beleza, como já intuíam os antigos, é, juntamente com a Verdade e com a Bondade, um outro nome de Deus.

 

Foi pena que, durante séculos, tivéssemos esquecido a Beleza. Por isso até se alterou a descrição que Jesus faz de si mesmo em Jo 10,11. Aqui aparece-nos como o «bom Pastor». Mas no original não está assim. Se fosse bom estaria agathós. Mas o que lá aparece é kalós.

 

«Eu sou o belo Pastor» é o que nos surge e é assim que deveríamos ler. É claro que o bom é belo. Mas o belo também não é bom?

 

Para Sto. Agostinho, o belo é o esplendor da verdade e para Heidegger é a manifestação da verdade.

 

Zubiri ajuda-nos a desenterrar o belo do prolongado cativeiro em que esteve retido. A Beleza, tal como a bondade e a verdade, é actualidade da realidade. A realidade é actualizada na inteligência como verdade, na vontade como bondade e no sentimento como beleza.

 

Na vida, precisamos não só de uma filosofia, mas também (e bastante) de uma filocalia. O amor da sabedoria surge sempre irmanado ao amor pela beleza.

 

Segundo von Balthasar, para a sociedade actual a via para chegar a Deus  é a via do 3º transcendental,  o transcendental esquecido, a Beleza.  A Beleza é o Todo que se oferece no fragmento.

 

Bento XVI chama a atenção para uma tentação muito forte, ínsita na cultura contemporânea e até em alguns sectores da Igreja. Trata-se da tendência (ou, melhor, da tentação) para separar a Beleza da Verdade e da Bondade.

 

 Tarefa impossível, porém. As três estão unidas e fundidas em Deus. Deus é a Beleza máxima, a Bondade maior e a Verdade suprema.

 

 A Beleza sem a Verdade reduz-se a um mero deleite estético. É na Verdade que a Beleza é bela.

 

 É claro que custa apelar para a Verdade num tempo que parece ter contrato firmado com a mentira. Mas haverá Beleza sem Verdade?

 

 A dedicação à Verdade acarreta sempre anticorpos. Há quem não suporte a Verdade e faça tudo para torpedear e agredir os que, modestamente, procuram viver no seu seio.

 

 Eis, pois, uma proposta de vida que não podemos desatender: viver a Beleza da Verdade e viver a Verdade da Beleza. No fundo, só a Beleza é verdadeira. E só a Verdade é bela. Deixem-nos procurar a Verdade. E desfrutar da sua Beleza.

 

publicado por Theosfera às 00:03

De António a 19 de Janeiro de 2011 às 14:36
Tenho andado a estudar, deslumbrado, a teoria científica das Supercordas, que aponta no sentido da existência de universos paralelos. Uma das experiências que será levada a cabo pelo CERN será precisamente a tentativa de provar a sua existência.Toda esta demanda científica começou das reflexões de alguns cientistas da área da Física Quântica, que ficaram intrigados pelo facto de o électron poder ocupar mais do que um espaço ao mesmo tempo. Hoje, os físicos mais conceituados nesta área afirmam que só a existência de várias dimensões, para além das conhecidas, é que poderá explicar algumas equações matemáticas, decorrentes da Física Quântica. E, se assim for, o nosso Universo será apenas uma minúscula " bolha" na profunda imensidão cósmica de múltiplos universos.Deus é desconcertante.Einstein dizia que Deus não joga aos dados. Eu digo que Deus também se diverte a brincar connosco...

De Theosfera a 19 de Janeiro de 2011 às 15:52
Muito obrigado, bom Amigo, por estes preciosos comentários. Têm-me ajudado a reflectir muito. Abraço amigo no Senhor Jesus.

De António a 19 de Janeiro de 2011 às 22:26
Muito grato eu, estimado Padre João António, por tudo quanto de tão luminosamente belo tenho lido nos seus magníficos textos.Abraço amigo...


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