O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Quarta-feira, 19 de Janeiro de 2011

Já nem a palavra é o que era.

 

Na sua obra Presenças Reais, George Steiner assinala que vivemos na «era do epílogo».

 

Epílogo quer dizer depois da palavra. Em Os Logocratas, o referido autor fala de «pós-literacias», antecipando que será «a imagem, nas suas formas variáveis e indefinidamente reprodutíveis, que dominará a consciência futura». Aliás, hoje em dia, o recurso ao logos «reduz-se praticamente à legenda das imagens».

 

Steiner vê aqui um factor que explica «a derrocada do nosso ensino secundário e o seu desprezo pela aprendizagem clássica, pelo que se aprende de cor. Doravante, uma espécie de amnésia planificada prevalece nas nossas escolas».

 

Num cenário como este, poderá dizer-se que o diálogo é a prioridade? Como fazer passar a palavra e a razão se, na labiríntica cultura pós-moderna, pouca apetência existe pela palavra e pela razão?

 

Para haver diálogo, não é necessário haver perspectivas iguais, mas é indispensável usar instrumentos comuns. Pela sua própria natureza, o instrumento do diálogo é a palavra, é a razão.

 

Podemos discordar quando dialogamos. Mas, pelo menos, entendemo-nos. A questão que a actualidade nos coloca é: que tipo de logos entra no diálogo? O logos, tal como o conhecemos, é uma criação ocidental. Será ele o meio mais adequado para promover o relacionamento com outras civilizações? Não será altura de investir num logos mais abrangente, mais universal?

 

Não nos podemos cingir ao logos racional, conceptual. Urge revalorizar um logos prévio: o logos existencial, o logos pessoal, o logos simbólico, o logos afectivo. A palavra que aproxima não é só a que provém do entendimento. A palavra que aproxima é a que envolve o gesto, o acolhimento, a simpatia, enfim, toda a vida e a vida toda.

 

Digamos que se trata de uma espécie de logos antes do logos, de uma palavra antes da palavra. É por tudo isto que, na hora que passa, a maior urgência da humanidade não é sequer o diálogo. É algo mais elementar. É o encontro, a relação, a aceitação, o respeito, a convivência.

 

O tempo presente é severamente eloquente. Quando dialogamos, emitimos palavras e trocamos razões, mas, muitas vezes, acabamos também por provocar desentendimentos e cavar fracturas.

 

Temos de apostar, então, no diálogo antes do diálogo. No diálogo afectivo antes do diálogo racional.

 

Nesta aldeia global que formamos, ainda não será tempo de nos entendermos, mas é (mais que) tempo de nos encontrarmos, de nos aceitarmos, de nos respeitarmos

 

publicado por Theosfera às 00:02

De António a 19 de Janeiro de 2011 às 14:25
Segundo o meu ponto de vista, caminhamos em diversos patamares de evolução espiritual. E é por isso que tanto existem santos como assassinos em série. Não há como ultrapassar esta dinâmica, que faz parte da própria Evolução, globalmente considerada. Desde o tempo em que os primeiros seres vivos se tornaram predadores de outros seres, até ao actual momento histórico e temporal, foi uma longa caminhada.Hoje, o Homem tem a capacidade de olhar para essa Evolução e entender o seu processo. No fundo,o Homem é a própria Evolução a tomar consciência de si própria.Há homens que vão muito à frente, nesse espiritual processo evolutivo, e outros muito atrás.Mas eu acredito, e aqui é de facto o exercício especulativo do direito à minha crença, que toda a Evolução aponta no sentido da Perfeição. Se a Evolução conduziu ao aparecimento do Homem,como individualidade ontológica que a reconhece, entende e contempla, será que, no final, desta Caminhada,o Homem se poderá reconhecer como a Imagem espelhada de Deus ? Será esse o Mistério, será esse o Segredo ? Jesus de Nazaré levantou-nos o véu dos mistérios. Disse-nos que somos deuses e que havia alguns temas que não podia abordar, porque os apóstolos não estavam preparados para os conhecer ? Que seria isso que o Nazareno nunca revelou ? Que somos mesmo, e não apenas metaforicamente, feitos à Imagem e Semelhança de Deus ? Então porque teimamos em conceber Deus à semelhança das nossas medíocres imagens ? Não foi esta atitude arrogante, mesquinha, que conduziu e ainda conduz ao cometimento de tantos horrores em nome de Deus ? Se enorme pecado ocorreu, na história mítica do Génesis, não foi certamente o do Conhecimento. Foi exactamente a hipótese antipodal. O Homem nunca teria cometido nenhum Pecado Original se tivesse provado do fruto doce da Árvore do Conhecimento, mas pecou, sim, por ter provado do fruto amargo da Árvore da Ignorância. E por ter preferido a Ignorância ao Conhecimento da mais aprimorada concepção de Deus...


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