A era do vazio não nos atira, necessariamente, para o vácuo. Faz pior: expõe-nos ao risco da destruição.
O vazio é, acima de tudo, um processo, um processo de esvaziamento.
Lipovetsky deixou antever, numa célebre trilogia, que a era do vazio é dominada pelo império do efémero e marcada pelo crepúsculo do dever.
É assim que o esvaziamento acaba por redundar numa substituição.
O universo de referências e o quadro de valores que teceram a nossa civilização estão a esfarelar-se rápida e estrepitosamente.
O que prevalece é a desconstrução, a destruição.
Quanto mais trágica é a destruição, mais dissecada ela se torna aos olhos de todos.
O caso BPN saiu (por momentos?) do prime time por causa do homicídio de um jornalista em Nova Iorque.
O ingrediente é comum: suspeita, intriga.
Mas a dimensão é maior: sangue, violência, sexo, morte.
É tudo trágico. Mas tudo nos é servido ao jeito do espectáculo.
Já não somos cidadãos? Não passamos de meros consumidores?

