O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Terça-feira, 04 de Janeiro de 2011

Não é preciso ser muito versado em semântica para perceber que obediência vem de escuta. Na sua raiz está o verbo audire, ouvir.

 

Ela ocorre, portanto, no plano da relação pessoal. Pressupõe sempre uma iniciativa e anela por um acolhimento. Parte de uma proposta que espera por uma resposta.

 

A obediência não está, pois, do lado da imposição nem da correspondente submissão. Ela não dispensa a mediação da consciência.

 

Se a obediência implicasse a anulação da vontade, como poderia ser humana? Tratar-se-ia de um acto nulo.

 

Isto não contende, obviamente, com a generosidade que se dispõe a aceitar o que é proposto.

 

A obediência, assim entendida, não menoriza nem infantiliza. Pelo contrário, ajuda a crescer.

 

É preciso reconhecer que, muitas vezes, se apelou à humildade como pretexto para encobrir muita desumanidade.

 

Nunca percamos de vista, com efeito, que Deus não fala apenas pela consciência de uns. Fala na consciência de todo o ser humano.

 

É bom não esquecer que, como dizia Joseph Ratzinger em 1968, «acima del Papa está a própria consciência, à qual há que obedecer antes de mais, ainda que seja contra o que diz a autoridade eclesiástica».

 

Confesso que até a mim me surpreendem estas palavras do actual Papa, que acrescenta: «O que falta na Igreja não são panegiristas da ordem establecida, mas homens cuja humildade e obediência não sejam menores que a sua paixão pela verdade, e que amem a Igreja mais que a comodidade da sua própria carreira».

 

O interpelante estudo que vem hoje no El País deve levar-nos a pensar na interlocução que conseguimos entre os membros do Povo de Deus.

 

Jesus foi sempre humilde e nunca pressionou a consciência de ninguém. Porque humilde, não humilhava. Respeitou a identidade das pessoas.

 

Com serenidade, creio que, um dia, nos aproximaremos da conduta do Mestre dos mestres.

publicado por Theosfera às 11:03

De António a 4 de Janeiro de 2011 às 14:15
Um dos maiores dramas da Humanidade sempre foi a temática das divergências de pensamento. Se fizermos uma retrospectiva histórica, a partir do surgimento de Jesus Cristo, o que vemos são sucessivos horrores, cometidos em nome da totalitária Verdade. E essa conduta é transversal a todos os teísmos ou ateísmos e a todas as ideologias políticas.Aliás, Cristo viveu o mesmo drama existencial. Se Ele não tivesse entrado em divergência teológica e dogmática com os membros do Sinédrio nunca teria sido Crucificado.Os seus próprios familiares afirmaram que Cristo perdera a razão, que era louco.Mas se há alguém que foi totalmente insubmisso esse alguém foi Jesus de Nazaré.Nunca aceitou dogmáticas injustas e que atentavam contra a Sua Consciência. E nunca deixou de seguir a Voz de Deus. Quem imagina Jesus de Nazaré a submeter-se à cartilha de escritos que mandavam apedrejar mulheres adúlteras em nome de Deus , por serem considerados de suposta inspiração divina ? Quem concebe Jesus de Nazaré a aceitar qualquer norma teológica que estivesse em desacordo com a Sua Consciência ?...

De Theosfera a 4 de Janeiro de 2011 às 20:16
Tem razão, bom Amigo. Confesso que, sobretudo nos últimos tempos, tenho pensado muito nesta questão. A Igreja, enquanto novo Corpo de Jesus, é chamada a reproduzir a conduta de Cristo e não a daqueles que se Lhe opõem. Obrigado por mais este contributo notável. Abraço amigo no Senhor.

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