O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Terça-feira, 04 de Janeiro de 2011

1. Nunca o homem deixou de se relacionar com Deus.

 

 O divino ocupou-o a partir do princípio e preocupou-o desde sempre.

 

Basicamente, o ser humano filiou a sua (incessante) busca do divino em dois tipos de preocupação: a explicação da realidade e a justificação do poder.

 

Deus é a resposta àquilo que nos preocupa de forma última: o porquê e o para quê. Ele é, por isso, a origem primeira e o fim definitivo de tudo quanto existe.

 

Nada fica de fora da intervenção de Deus. Nem sequer a visão do poder.

 

A Deus era aplicada toda uma terminologia aparentada com a política: soberania, majestade, trono, glória, etc.

 

Como facilmente se compreende, o exercício do poder tendia a ser sacralizado.

 

Deus é o todo-poderoso que, digamos assim, delega o Seu poder no rei, no imperador.

 

Daí a tendência para considerar o soberano como sendo de condição divina e os seus actos como vindo (automaticamente) do próprio Deus!

 

O poder é sagrado porque a fonte do poder é sagrada. A etimologia indica precisamente que hierarquia significa poder sagrado, embora haja quem defenda que quer dizer princípio sagrado.

 

A teologia política, durante séculos, inspirava-se nesta sequência: um só Deus, um só imperador, um só papa, um só bispo.

 

Dissentir do poder equivaleria a desobedecer ao próprio Deus!

 

 

2. Nos seus começos, o Cristianismo apresentou uma concepção totalmente diversa da divindade.

 

Deus não era apenas a resposta às inquietações do Homem. Era também — e bastante — o questionamento de muitas certezas.

 

Jesus falou-nos de Deus não somente como a origem e o fim de tudo, mas, acima de tudo, como uma luz inspiradora do agir humano.

 

O Deus que Jesus deixa transparecer não é o alicerce de um projecto de poder. Pelo contrário, Ele está descomprometido com os poderes e comprometido com as vítimas dos poderosos.

 

Jesus incorpora Deus como fonte de liberdade e não como cerceamento da liberdade.

 

Foi para a verdadeira liberdade que Cristo nos libertou, como reconhece Paulo (cf. Gál 5, 1).

 

Por aqui se vê como Deus não é uma mera explicação do que existe. Ele é, sobretudo, a fonte de transformação da existência.

 

 

3. Esta nova afirmação de Deus foi vista como revolucionária e considerada perigosa.

 

Este Deus contendia com a ordem vigente. Irmanava as pessoas numa igualdade fundamental.

 

Os últimos eram os primeiros. Os preteridos passavam a preferidos. Os escravos eram acolhidos como irmãos. Os pobres estavam no centro.

 

A subversão era notória. As discussões tornaram-se constantes. As perseguições multiplicaram-se.

 

Foi então que veio Constantino e ofereceu a paz à Igreja. Só que o preço foi elevado.

 

A Igreja integrou-se no império e começou a organizar-se de modo imperial.

 

Aquilo que tinha constituído um avanço sofreu um claro retrocesso. Assistiu-se, assim, a mais uma contrafacção do conceito de Deus.

 

Deus voltou a ser involucrado na linguagem do poder. O clímax chegou com a querela em torno do poder supremo.

 

O papa foi ao ponto de invocar um poder superior ao do rei. A história está cheia de disputas neste campo com desfechos pouco edificantes.

 

 

4. O regresso às fontes tem sido empreendido. Mas reconheça-se que ainda estamos distantes do objectivo.

 

Uma Igreja fiel a Jesus não estabelece relações de poder, mas de serviço. A sua preocupação não é mandar, mas servir.

 

Uma Igreja fiel a Jesus pugnará sempre pela justiça entre os homens.

 

Uma Igreja fiel a Jesus não permite que alguém se considere superior ou que alguém seja considerado inferior.

 

Para um seguidor de Cristo, os outros não estão atrás nem em baixo. Os outros vivem ao lado e sobrevivem dentro de cada um.

 

Afinal, ainda não incorporamos totalmente o Deus de Jesus na nossa vida eclesial. Alguns passos têm sido dados. Mas subsiste um longo caminho a percorrer.

publicado por Theosfera às 09:56

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