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Sexta-feira, 31 de Dezembro de 2010

Politólogos, psicólogos e sociólogos estão desconcertados.

 

Como é que a situação que o país vive não está a provocar manifestações em massa, greves com força e protestos em série?

 

É por demais sabido que as realizações que ainda se vêem são tudo menos espontâneas. São organizadas por instituições, designadamente sindicatos. Têm de ser preparadas com muita antecedência. O impacto é, notoriamente, inferior ao de antanho.

 

Por muito menos já se promoveram acções muito mais ruidosas.

 

Que se passa, então? Porque é que, com uma situação pior, o povo se mostra tão desmobilizado?

 

Há muitas explicações doutas e, sem dúvida, pertinentes.

 

Subsistem, quanto a mim, três leituras.

 

A primeira, e a mais optimista, é que a população está mais madura e prefere o diálogo ao protesto. Não creio, porém, que seja aquilo que se está a verificar.

 

A segunda hipótese, que será a mais pertinente, é que as pessoas estão tão desalentadas que já nem para protestar encontram forças. Não acreditam no poder nem na oposição. Sentem-se a colapsar a partir do fundo.

 

Sobra, entretanto, uma terceira leitura, porventura a mais emergente.

 

Se repararmos bem, a pequena criminalidade está a aumentar. Os assaltos estão a crescer. Já não só de noite. Também de dia, a qualquer hora, haja ou não vigilância. O desespero dá boleia à anarquia. É impossível ignorar o significado de tudo isto.

 

O desnorte é tal que as pessoas já não se juntam para denunciar. O outro não é para convocar. É, crescentemente, para eliminar.

 

O problema é que o alvo já não é sequer o potencial culpado. Começa a ser, cada vez mais, o inocente.

 

Eis o sintoma que esta contracultura está a pôr a descoberto.

 

A tendência já não é sequer para actuar contra o outro. É, cada vez mais, para viver sem o outro.

 

Devíamos pensar nisto. É importante reflectir. E urgente inflectir.

 

Quando o egoísmo insufla a violência, o resultado não pode ser animador.

 

A ausência de acções de rua não nos devia, pois, deixar tranquilos. Há muito desespero alojado nas almas. Quando explodir, os danos poderão ser devastadores. Os estilhaços já se fazem ouvir. Com estrondo! 

 

 

publicado por Theosfera às 10:45

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