O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Quinta-feira, 05 de Novembro de 2009

 

Não há realidade humana que não esteja envolvida pelo divino. Cristo nada deixou de fora. Nem sequer o sofrimento. Ou a morte (Fil 2, 8).
 
Este facto, contudo, parece não impedir que a morte continue a amedrontar e a esmagar. Mesmo aqueles que professam a fé n'Aquele que triunfou sobre a morte. Sinal — mais um — de que o crente não deixa de ser homem. Com todos os temores que fazem parte da existência humana. E que, perante a morte, atingem a máxima expressão.
 
Apesar da transfiguração da morte, operada por Cristo; apesar de ela nos abrir as portas para o encontro definitivo com a plenitude da vida; apesar de possibilitar aquele abraço com o Pai, para Quem caminhamos no tempo; apesar de tudo isto, continua a ser complicado lidar com a morte.
 
Se, com efeito, custa viver, muito mais custa morrer. Desde logo porque, cedo ou tarde, a morte quase sempre nos surpreende. Como se não contássemos com ela.
 
Mas é tal o impacto da morte que, ao vir até nós, altera (outros dirão: transtorna) definitivamente a nossa vida.
 
Para muitos, é um salto enorme, que atira o ser humano para o nada. Para o nosso olhar de crentes, é a grande oportunidade. O passo decisivo.A decisão suprema.
 
Mesmo assim estou certo de que, se pudéssemos, evitaríamos tal momento. Que, de resto, procuramos retardar o mais possível.
 
É por isso que o pensamento da morte inspira, acima de tudo, silêncio. Vivemos, de facto, como se ela não nos afectasse minimamente. Ou então como se ela só sobreviesse aos outros.
 
Cabe, porém, perguntar.
 
Será que, diante da morte, não resta ao homem outra possibilidade para lá do silêncio? Do mutismo? Da incapacidade de dizer seja o que for sobre algo que, apesar de tão complexo, se revela tão importante?
publicado por Theosfera às 14:00

De António a 5 de Novembro de 2009 às 16:22
Amei e amo profundamente meu falecido e santo pai.Foi uma das pessoas mais bondosas que conheci em toda a minha vida.No dia em que morreu, senti-me estranhamente muito calmo. A minha querida mulher ateia disse-me que devia ser o resultado de um estado de choque. Não o creio.Senti que ele permanecia espiritualmente vivo.No trajecto para o cemitério do Prado do Repouso, o féretro cruzou-se com um arrumador de carros, de aspecto marginal mas,também estranhamento parecido com a figura imaginária de Cristo. Subitamente,à passagem do carro fúnebre, esse irmão toxicodependente, ou Cristo Ele mesmo disfarçado de marginal, benzeu-se.Nunca mais esquecerei a grandeza desse gesto e não tenho dúvidas que o meu bondoso pai se condoeu com a desdita daquele irmão,no momento em que,com ele se cruzou.Tudo isto para dizer que,embora ciente de que a morte não atinge a essência do ser,a verdade é que nos custa imenso a todos não mais podermos abraçar fisicamente quem tanto amamos.Este é, a meu ver, o lado mais dramático da morte: obrigar-nos a amar sem podermos abraçar...


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