O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Segunda-feira, 13 de Dezembro de 2010

Uma disputa se perfila, nesta época do ano, entre duas figuras: o Menino Jesus e o Pai Natal.

 

No imaginário dos mais pequenos, nos espaços comerciais e nos órgãos de comunicação, é indesmentível que o Pai Natal está a ganhar terreno.

 

É claro que se trata de uma figura simpática, acolhedora e que não traz mal nenhum. Pelo contrário, até oferece presentes.

 

Mas é aqui, porém, que entra em cena algum capital de problematicidade.

 

Desde logo, é preciso não perder de vista que o Natal, queiramo-lo ou não, assinala o nascimento (natal) de Jesus.

 

Em segundo lugar, verificamos que o paradigma de actuação do Pai Natal é o consumo.

 

As crianças encantam-se com ele porque é aquele que dá, é aquele que traz o que se pede, o que se exige.

 

Ora, o Menino Jesus era muito mais comedido. Os seus presentes eram bastante sóbrios. Mas, quase sempre, surpreendentes.

 

Por outro lado, é uma figura que aponta para valores totalmente distintos. O Menino, com a sua singeleza, incorpora uma cultura da sobriedade, da partilha, do encanto.

 

Nunca é demais insistir neste ponto. Se queremos inculcar valores, precisamos de apontar referências.

 

Haverá, independentemente da opção religiosa de cada um, maior referência ética que Jesus?

 

Não removamos o Pai Natal. Mas, acima de tudo, não eliminemos o Menino Jesus.  

publicado por Theosfera às 10:40

De António a 13 de Dezembro de 2010 às 21:01
“Quanto a Cristo, gostaria também de modificá-lo no espírito das massas. Acho que a personagem mais forte, mais dinâmica e mais importante que já existiu, acabou por ser terrivelmente deformada pela tradição”

Charles Chaplin ( ateu)

De Theosfera a 13 de Dezembro de 2010 às 21:27
Confesso, bom Amigo, que, nos últimos tempos, esta é uma das questões que mais me tem inquietado. Até que ponto podemos garantir que todas as doutrinas e preceitos eclesiásticos expressam a mensagem de Jesus? É claro que Jesus quis continuar presente na Sua Igreja. Só que Jesus é que é o critério para a Igreja, não é a Igreka que é o critério para Jesus. E, mais grave, são tantas condenações a pretexto de tudo isto.
Obrigado, uma vez mais. Abraço amigo no Senhor.

De António a 13 de Dezembro de 2010 às 23:52
Estimado Padre João António

Muito grato pela sua resposta. A minha opinião é que, hoje, já não é possível cativar muita gente para uma visão cristã da vida sem uma profunda reinterpretação teológica e exegética.O aumento da instrução e da cultura cresceram de uma forma exponencial nos últimos 20 anos e o resultado disso está bem patente na blogosfera.O Cristianismo está a ser " escrutinado" de uma forma nunca antes imaginada. E o resultado é de uma enorme tensão dialéctica. Por mim, considero que os cristãos, nas suas diversas interpretações do Evangelho, deveriam fazer uma revisão muito humilde e intensificada de toda a dogmática dada por adquirida, nos mais diversos domínios eclesiásticos, escatológicos e de doutrina social.Não vejo que isso seja viável sem a convocação de um novo Concílio, simultâneamente dogmático e pastoral, que suscite um amplo debate, totalmente franco, aberto e despreconceituoso.Sou dos que ficaria feliz com o aprimoramento da Igreja Católica, pois penso que é uma instituição essencial à Causa da Humanidade. Mas se esse debate não ocorrer, temo que as forças anti-clericais e anti-religiosas possam conhecer avanços muito significativos. O problema não está na quebra do sentido de espiritualidade, pois, a esse nível, há muita gente carente dessa dimensão da existência. O problema reside em que Deus está efectivamente soterrado no poço bem fundo da nossa ignorância, do nosso egoísmo, da nossa prepotência. E, sobretudo, da nossa renitente falta de humildade.Thomas Paine disse que " discutir com um homem que renunciou à sua razão é como medicar um cadáver". E quantos " cadáveres" andam por aí sem reflectirem autonomamente sobre as suas crenças ? Penso que Arthur Schopenhauer tocou na essência do problema religioso quando afirmou: "se é certo que um Deus fez este mundo, não queria eu ser esse Deus: as dores do mundo dilacerariam meu coração". Einstein acrescenta algo mais que vivamente interpela as nossas consciências:"se as pessoas são boas só por temerem o castigo e almejarem uma recompensa, então realmente somos um grupo muito desprezível." Hoje,em minha opinião, a exigência de um debate alargado sobre Deus é vital para O desencarcerarmos da prisão inóspita em que O colocamos, com conceptualizações teológicas tão dispares,incongruentes e contraditórias. O próprio Francisco de Assis reagiu muito mal quando verificou que a Regra Primitiva estava a ser desvirtuada e fez exactamente como Jesus de Nazaré: virou a mesa.
Em todo o caso, não deixa de ser consolador verificar que, do próprio campo ateísta, vem algo de tão elogioso para a figura de Cristo como a frase que citei do ateu Charlie Chaplin.Abraço amigo...



De Theosfera a 14 de Dezembro de 2010 às 10:29
É verdade, bom Amigo. Encontro-me num processo de revisão e penso que, em relação a Cristo, a Igreja muitas vezes é um obstáculo. Aliás, foi Ratzinger que o reconheceu. Nãoo sei se Bento XVI o subscreveria. Preocupa-me sobretudo que, amiúde, andemos a responder a perguntas que ninguém faz e não façamos eco das interrogações que muitos levantam. Abraço amigo no Senhor.

De António a 14 de Dezembro de 2010 às 12:43
Por mim falo, estimado Padre João António: precisei de passar por uma grande crise de fé para verdadeiramente conhecer Deus. Hoje, penso que a grande chave do Conhecimento de Deus está numa das palavras que Teilhard de Chardin tão bem sintetizou: Evolução. Se deixarmos de buscar o aprimoramento pessoal e dos conceitos, estagnamos, cegamos.E a porta para a melhor compreensão de Deus é tão estreita quanto larga.Quando verdadeiramente O senti, o deslumbramento foi total e profundamente comovente. Deus, sendo o mais Omnipotente é também o mais Bondoso.O Único que é capaz de amar por igual o mais santo e o mais pecador dos Seus filhos.A partir desse encontro directo com Deus, nada pode ficar como dantes. Abraço amigo...

De Theosfera a 14 de Dezembro de 2010 às 14:11
Obrigado, bom Amigo. Do fundo do coração.

De Mª Amélia a 14 de Dezembro de 2010 às 15:49

Rv.mo Sr. Padre João e estimado Senhor António…falo aqui para os dois, sobre a minha limitadíssima concepção de Fé e de busca da compreensão de Deus:

O ser humano tende a ser muito racional! O que é natural, pois a razão é que o define como tal! Uma coisa é certa: Deus está absolutamente, muito para além das nossas razões e convicções!

Quero com isto dizer que, cada ser humano faz demasiadas?! perguntas sobre Deus! Todos O querem, logicamente conhecer! Todos O debatem! Porém, A Igreja não pode estar dividida!

S. Francisco de Assis mesmo, não concordando com determinados erros não provocou cisma. Já Lutero fez muito mal à Igreja! Eu não digo que estivesse totalmente errado! O erro foi a rotura.

Cristo falou: “Quem, comigo não junta divide…!” A divisão é sempre do mal.

Disse-lhe Filipe: Senhor, mostra-nos o Pai, o que nos basta.
Disse-lhe Jesus: Estou há tanto tempo convosco, e não me tendes conhecido, Filipe? Quem me vê a mim vê o Pai; e como dizes tu: Mostra-nos o Pai?" (Jo 14:6-9)
Fora de Cristo tudo é mentira. Sem Jesus o homem está perdido. Quem vê Jesus vê o Pai, pois o Filho e o Pai são UM SÓ.

Sendo assim, é muito natural que nos apossemos da imagem que temos da paternidade em geral, com singular ênfase em nossa própria filiação, para associarmos e entendermos melhor a este Deus que é Pai, Filho e Espírito Santo.

O pensamento de muitos (sobretudo, ateus), infelizmente demonstra muito mais uma adesão ao cepticismo, por uma atitude indiferente e/ou preguiça intelectual, do que por, real convicção (salvo algumas excepções);

Mas o grande “problema” é que, por mais próximo que cheguemos da verdadeira imagem de Deus, sempre estaremos, infinitamente, distantes da real natureza divina.

Sempre que queremos sujeitar Deus aos nossos critérios, à nossa sensibilidade ou, mesmo, à nossa ideologia, então já não acreditamos no Deus que se revela mas num “ídolo” que nós próprios criamos.

De todas as vezes que, a Igreja católica define um dogma, o faz, baseada, na Revelação e, sempre, motivada pelo surgir de algo que ameaça afastar-se da Verdade! É uma absoluta necessidade Teológica com o objectivo de refutar, com a sua Autoridade (sim AUTORIDADE, desculpem mas é necessário que haja autoridade), um determinado cepticismo e/ou heresia!

Sabendo disso, a Igreja aconselha muita prudência, na busca de conhecer certos mistérios superiores à nossa compreensão, conforme ensina o Catecismo Romano, transcrevendo a Bíblia: "Quem quer sondar a majestade, será oprimido pelo peso da sua glória" (Prov.25,27).

Se, a natureza divina pudesse ser totalmente compreendida, a partir das nossas experiências humanas, quão pequeno seria Deus!

"Para que todos sejam um, assim como tu, Pai, estás em mim e eu em ti, para que também eles estejam em nós e o mundo creia que tu me enviaste" (Jo. 17, 21).

Ou seja: Sempre buscarei a Face de Deus, com a certeza que essa busca apenas terminará quando O vir Face a Face. O Senhor se vai revelando conforme as necessidades e jamais devo ter a presunção de, que O conhecerei, em plenitude!

A Própria Igreja faz um percurso, através dos séculos e se vai aprimorando no conhecimento de Deus. Esse esforço deve se escutado, em união.

Aquele que quer aprofundar-se obstinadamente, no conhecimento de Deus está sujeito a perder totalmente a Fé...digo eu...

Não quero significar que devo "cruzar os braços", deixando de O buscar. Com certeza que me entendem. Estou a falar com pessoas muito cultas e informadas. Eu é que me sinto pequenina, perante o Rv.mo Padre e também, perante o António! Desculpem o meu atrevimento. Apenas refiro o pouco que sei, a respeito…

Abraço amigo e muito sincero no Senhor!

Maria Amélia!

Maria amélia


De António a 14 de Dezembro de 2010 às 18:47
Estimada Maria Amélia:

Cada um de nós tem a sua própria percepção de Deus.Há pouco tempo encontrei-O, depois de um longo percurso à deriva. Antes de ir para a catequese, quando era criança, teria talvez 6 anos, tinha encontrado Deus na contemplação das noites estreladas. Depois, essa maravilhosa concepção foi-se esvanecendo perante a concepção antropomorfizada de Deus do AT, mormente do Levítico e do Deuterónimo. Recebi a Primeira Comunhão, a Comunhão Solene e o Crisma. E, apesar de ideologicamente distanciado da Igreja Católica, mantenho os mesmos laços sentimentais que a ela me uniram.Hoje, tenho, nalguns católicos excelsos, as minhas maiores referências éticas: Francisco de Assis, Ambrósio de Milão,João Paulo I e Madre Teresa de Calcutá, ao mesmo lado de Gandhi, Dalai Lama e do médium espírita Chico Xavier. Não distingo as pessoas em função da sua visão da vida, filosófica ou teológica, mas em função da sua Bondade. Este é, para mim, o único critério de validação da grandeza de carácter de qualquer ser humano, seja crente, ateu ou agnóstico.Confesso que, quando andava na catequese, havia algo no AT que não coincidia com a visão deslumbrante de Deus, que julgara ter captado da contemplação do Firmamento.Ainda me recordo do temor de poder ir parar ao Inferno por algo tão pueril como ter apanhado castanhas do chão num terreno alheio.Há 3 anos tive um grande crise de fé. E, portanto, encontrava-me profundamente desencantado com Deus. Ao meu grito " meu Deus porque me abandonaste ?", aparentemente Deus não me socorrera numa altura da minha vida em que provara o fel muito amargo da injustiça e da ingratidão humanas.Aquilo que eu tinha que sofrer, sofri. Não vi nessa altura a Presença de Deus.Minha querida mulher ateia perguntou-me se não seria a minha concepção de Deus que estaria errada.Fiquei a reflectir e isolei-me num recanto encantador nas margens do rio Estorãos, perto de Ponte de Lima. Estava só, rodeado de belas árvores, junto de um pequeno riacho de águas límpidas. A minha mente estava vazia de convicções. Naquela altura eu só tinha dúvidas.Foi nessa época que entendi que só podemos receber quando estamos vazios de pré-conceitos.De repente, uma halo de luz suavíssima manifestou-se na copa das árvores. Uma Luz muito suave e aconchegante apresentou-se. Foi então que perguntei: " Meu Deus onde estás ? " . A resposta veio imediata assim: " Procura-Me no Silêncio". E foi no Silêncio Contemplativo que entendi Quem verdadeiramente é Deus: Bondade Pura. O mais bondoso Ser de todos nós. Aquele que é capaz de amar tão infinitamente o mais santo como o mais pecador dos Seus filhos. Deus chegou-me pela forma mais profunda que pode chegar a qualquer ser humano: pela imediação do Sentimento Religioso, impondo-se directamente a todas as teologias e a todas as mesquinhas antropomorfizações. Deus fala com todos nós. O problema é que, normalmente, estamos tão cheios de certezas que nem admitimos que Deus nos possa surpreender. Gostamos muito que Deus nos fale. Mas que diga, não o que Deus tem para nos dizer, mas o que nós gostamos ou queremos ouvir.Naquele dia, Deus não me deu a resposta mas indicou-me o Caminho: " Procura-Me no Silêncio". A partir desse dia, tudo se alterou na minha vida, que nunca mais foi como dantes. Simplesmente porque andava à procura de resposta de Deus. Tudo para concluir que a Fé não se pode, do meu ponto de vista, confundir com crença cega e acrítica. Essa é a enorme distância que separa a superstição e a alienação da genuína Fé ,sentimental e racionalmente sustentada.O Caminho para Deus passa,em minha óptica, por uma porta tripartida, muito estreita mas firme:Procura, Silêncio e Meditação. Poder-se-á perguntar se Deus, que assim se me manifestou, tem algo a ver com qualquer mesquinha antropomorfização, que O caracterize como um demiurgo cruel, irascível e justiceiro. E a minha resposta é a seguinte: essa é uma das maiores ofensas que se pode fazer a Deus.Abraço amigo...

De Mª Amélia a 14 de Dezembro de 2010 às 23:49
Caro António

Muito obrigada pela sua resposta, pela sua partilha e pelo seu testemunho de encontro com Deus! São diversos e insondáveis os caminhos do Senhor! Quanto a isso não tenho objecções. Nada sei dizer, relativamente à sua experiência.

Reitero os meus agradecimentos!
Maria Amélia

De António a 15 de Dezembro de 2010 às 23:54
Estimada Maria Amélia:

Do relato detalhado da minha vivência pessoal, pretendi enfatizar a ideia de que só a consciência individual é critério último e definitivo sobre a crença em Deus e a sua conceptualização, na senda,aliás, do que, sobre esta matéria, afirmara Joseph Ratzinger em 1968:

"Acima do papa, como expressão da autoridade eclesial, existe ainda a consciência de cada um, à qual é preciso obedecer antes de tudo e, no limite, mesmo contra as pretensões das autoridades da Igreja." ( Joseph Ratzinger, 1968)

Abraço amigo...

De Mª Amélia a 16 de Dezembro de 2010 às 01:30
Caro António

Entendo desta forma:

“…a consciência de cada um, à qual é preciso obedecer antes de tudo e, no limite, mesmo contra as pretensões das autoridades da Igreja."

Pois, com certeza! Se um bispo, ou Sacerdote, por mera hipótese ou mesmo o Papa viesse dizer que sim senhor, é lícito o aborto ou eutanásia ou qualquer outro assunto dessa importância, ou algo que interferisse negativamente, com direitos à vida humana, logicamente que a minha consciência “e, no limite” ia falar mais alto mesmo, decerto, contra a ideia dessas autoridades. Isto foi apenas um exemplo!

Se um cristão possuir boas referências sabe discernir se a conduta de um Pároco, é decente ou não, (outro exemplo). Na verdade por mais que doa, tem que discordar ou concordar, conforme o caso.

Agora, relativamente a assuntos dogmáticos, teológicos…doutrinais…eu pergunto: O que é que a maioria das consciências tem a dizer? Cada cabeça sua sentença! E muitas consciências nem são bem formadas!

Portanto, só, em situações extremas, e, declaradamente contra o Evangelho, alguém poderá pronunciar-se contra uma autoridade eclesiástica! Pelo menos é assim que interpreto.

Abraço amigo
Maria Amélia

De António a 16 de Dezembro de 2010 às 13:32
Estimada Maria Amélia:

Entendo a sua posição. Porém, no que me respeita, sou cristão mas não católico e o único critério de aferição de Deus passa exclusivamente pela minha consciência individual.Abraço amigo...


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