O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Segunda-feira, 13 de Dezembro de 2010

O caso WikiLeaks é uma poderosa certificação de um cultura (ou anticultura, conforme o ponto de vista) em que as competências subjugam por completo a sabedoria. Isto para já não falar da ética, completamente sufocada.

 

O ponto de partida é que aquilo que, tecnicamente, é possível fazer é feito. A comunicação social vive da informação. Quanto maior for a informação para veicular, melhor.

 

É neste preciso ponto que a sabedoria entra em jogo. Ou, melhor, devia entrar.

 

É que a sabedoria, como lembra Zubiri, consiste sobretudo em discernir. E, neste particular, o que mais se nota é a falta de discernimento.

 

De facto, o que nos é apresentado como informação não passa de devassa, de intriga, de rumor, de coscuvilhice, de deslocação do contexto: o que se passa em privado é colocado na praça pública sem o menor controlo.

 

É certo que foi por este modo que se puseram cobro a ocorrências de corrupção. O caso Watergate é, talvez, o mais apelativo. Mas, como sempre, a excepção confirma a regra. Transformar a excepção em regra será um bom princípio?

 

Acresce que esta não é uma questão exclusiva da comunicação social. Este tipo de informação tem presença porque tem consumo.

 

A ética não está apenas em causa na comunicação social. A cidadania vai-se também afastando dos padrões mais elevados de conduta.

 

Afinal, num tempo em que tudo é público, porque é que os segredos deviam ser privados?

 

Só que, por este (des)caminho, a convivência torna-se praticamente irrespirável.  

 

Confesso que estes tempos me deixam interiormente abalado.

 

Como reinstaurar um mínimo de decência?

publicado por Theosfera às 10:27

De António a 13 de Dezembro de 2010 às 14:12
Julgo que, nesta temática, o cerne da questão é saber separar o trigo do jóio, a legalidade da legitimidade ética. A título meramente exemplificativo, se fosse possível desvendar as razões concretas que conduziram à invasão do Iraque,e que certamente não estiverem centradas nas inexistentes armas de destruição maciça, através do Wiki Leaks, eu acharia muito bem. Como também acho muito bem que se tenha derrubado,em Portugal,por forma ilegal, a Monarquia reinante e cometido o maior atentado à legalidade institucionalizada do Estado Novo através do 25 de Abril.Penso, assim, que, por vezes, se justifica claramente que a legitimidade ética se sobreponha ao estrito critério da legalidade, quando,da ponderação de valores ou desvalores em cotejo,o conflito se resolve pela prevalência da axiologia superior. Quem condenará um pai por roubar comida para alimentar a sua família se não tiver dinheiro para a comprar? Quem censurará Cristo por se ter oposto à iníqua Lei de Talião, no episódio da mulher adúltera ? Nesse momento, Cristo esteve a favor da Lei ou contra a Lei dos homens ?...

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