O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Quinta-feira, 09 de Dezembro de 2010

Tudo o que é precioso acaba por ser raro e, ao mesmo tempo, desejado.

 

Os valores pertencem, consabidamente, ao que há de mais precioso e também ao que há de mais raro.

 

À partida, esta parece uma causa perdida e um combate arrumado.

 

Os apelos aos valores são sempre pregões de esperança, mas que, por vezes, assumem a forma de gritos de desespero.

 

O valor tem que ver com o durável. Sucede que, naquela que Lipovetsky descreve como a era do efémero, tudo tem uma duração muito reduzida.

 

Nem os valores escapam a esta erosão. Os comportamentos alteram-se e a referência aos valores mantém-se.

 

É curioso notar que Paul Valadier, num estudo já com alguns anos, afirma que a evocação dos valores é uma espécie de socorro quando tudo o resto se esfuma no campo da ética e da moral.

 

Retenha-se que crise de valores é uma expressão recorrente, embora tenha redobrado de intensidade nos últimos tempos.

 

A questão é que, ao longo de séculos, os valores, embora mudando, provinham, geralmente, de um único princípio. Este era de natureza religiosa ou filosófica ou política.

 

Hoje em dia, os princípios inspiradores são múltiplos. Os próprios ídolos desencadeiam comportamentos que muitos reproduzem.

 

A manutenção de um quadro de valores consensuais remete, cada vez mais, para a importância das referências. Sem referências credíveis, os valores ficam ao arbítrio das afinidades mais fúteis.

 

Que referências credíveis oferecem os adultos aos mais jovens?

 

No mundo da pluralidade, é preciso não esquecer a importância do discernimento. Este, como sustentava Zubiri, é a alavanca da sabedoria.

 

Para isso, importa oferecer um conjunto de critérios que, no fundo, não andarão longe dos universais, ou seja, daquilo que acaba por estar em tudo: o bom, o belo e o verdadeiro.

 

Discutir os valores é pedagógico, mas, na hora que passa, urgente é propugnar a sua (absoluta) necessidade.

 

Deixemos que os mais novos tomem contacto com pessoas que se distinguiram pela rectidão, pela autenticidade, pela justiça, pela coragem, pela humildade, pela paz.

 

São elas que melhor transportam os valores. Certificam que é possível vivê-los e que, apesar de tudo, não é impossível sobreviver com eles.

 

Mesmo que não desfrutem de fama, dispõem do melhor capital: a decência.

publicado por Theosfera às 11:29

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