O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Sábado, 04 de Dezembro de 2010

Em Deus, tudo é dádiva. Em Cristo, a face de Deus para nós, tudo é entrega. Na Igreja, corpo de Cristo, tudo é dom.

 

Ela está, por isso, marcada pelo dom, pelo dom em excesso, pelo excesso do dom.

 

 Recusar o dom e rejeitar ser dom é atentar, por conseguinte, contra a identidade cristã.

 

 Sabemos, porém, que, por natureza própria, é difícil dar e ser dom. E quanto mais é precisar dar, maiores são as dificuldades em dar.

 

 O perdão insere-se na lógica do dom. É dom através de, através de Cristo, através da Igreja, para todos.

 

 É sabido, no entanto, que nem sempre o entendimento, aqui, está em total sintonia com a vontade. Às vezes, estão até em colisão.

 

 É nossa convicção que é preciso perdoar. Mas, muitas vezes, a vontade resiste.

 

 Noutros casos, é a vontade que está disposta a perdoar. Mas lá vem a memória recordar a ofensa. O perdão existe, mas a recordação persiste. Há sinceridade, sem dúvida, mas continua a haver dor. Como fazer?

 

 O caminho para perdoar pode implicar, antes de mais, reconstituição de tudo o que aconteceu. De facto, só após a conclusão de uma obra, nos conseguimos concentrar noutra obra.

 

 Depois, importa haver algum distanciamento. A proximidade em relação a quem ofende pode levar, ainda que involuntariamente, à continuação da dominação da ofensa sobre o ofendido e à eventual persistência da mágoa, quiçá da raiva.

 

 Em qualquer caso, nunca pode haver rancor, nem desejo de vingança. O grande acto de perdoar consiste em desejar, do fundo do coração, e em fazer o bem mesmo a quem faz mal. Para que, entretanto, isso possa acontecer, algum distanciamento pode ajudar.

 

 Para que a ofensa possa ser superada, a distância em relação à ofensa (e aos ofensores) é um bom caminho.

 

 A excessiva proximidade da situação pode, mesmo contra a vontade, conduzir à indesejada proximidade da ofensa.

 

 O dom tem de prevalecer. O dom do perdão deve subsistir. Há que fazer tudo para que ele se possa alojar no nosso coração. E dele emergir para todos. E para sempre.

publicado por Theosfera às 11:40

De António a 4 de Dezembro de 2010 às 14:26
Já sofri na vida o sabor muito amargo da injustiça e da ingratidão humanas e,nesta dimensão específica, de familiares chegados, aos quais disponibilizara o melhor dos meus cuidados. Tudo somado conduziu-me a uma crise de fé, há cerca de três anos. E aquilo que assimilara na catequese esboroara-se: qual seria o Pai que daria a um dos seus próprios filhos uma víbora se ele lhe pedisse pão ? Tanto pedi a Deus nessa altura que não permitisse o acumular de injustiças na minha vida.Mas Deus não as impediu. Pedi mas não obtive. Rezei mas sem resposta concretas às minhas preces. Poderia ter-me tornado num ateu amargurado. Mas não. Era o meu conceito de Deus que estava errado, quando, conversando com a minha querida mulher ateia, ela me questionava se faria sentido um Deus que dá a uns mas não a outros. Que necessitasse de rezas, de intercessões e de recitares obsessivos para actuar. Olhei mentalmente para Fátima, onde eu já estivera, crente,a olhar para a suposta Nossa Senhora. Recordei-me de toda a multidão que aí se arrasta ajoelhada, pensando que só dessa forma sacrificial é que poderia obter a misericórdia de Deus. Daqueles que vão pagar promessas por supostas concessões particulares que Deus lhes faça. E percebi que era de facto o meu conceito de Deus que estava errado.Um dia, perguntei-Lhe directamente onde Ele estava. E, à velocidade instantânea da Luz, Deus respondeu-me surpreendentemente: " Procura-Me no Silêncio".A partir dessa busca encontrei Deus. E este Deus, para mim o Único e o Verdadeiro, pouco tem a ver com a concepção antropomorfizada que Dele ergueram, à medida dos defeitos da mediocridade humana. Cada um de nós é o critério da aceitação ou não de Deus. Em primeiro lugar, porque ninguém manda nas nossas consciências. Em segundo lugar, porque Deus não tem que pedir licença a nenhuma Teologia para conversar directamente com cada um dos Seus filhos.Como é que Jesus de Nazaré ascendeu ao domínio da mais aprimorada concepção de Deus ? Terá sido, lendo os livros do Pentateuco e os discursos dos sacerdotes do Sinédrio ? Ou terá sido naqueles momentos de isolamento, quando se retirava em plena Natureza para entrar em Comunhão com o Pai ? ...

De Theosfera a 4 de Dezembro de 2010 às 14:32
Bom Amigo: Muito pertinente e magnificamente elaborada esta reflexão. Obrigado «ab imo corde». Abraço amigo no Senhor.

De António a 4 de Dezembro de 2010 às 20:16
Muito grato eu, estimado Padre João António, pela generosa aceitação das minhas confidências de alma. Bem haja. Abraço amigo...


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