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Quarta-feira, 24 de Novembro de 2010

Não é só pelo facto de os transportes terem aderido à greve. O certo é que o país, hoje, acordou quase parado.

 

Não é só, porém, neste dia que o país está parado. Ele está parado hoje porque, desde há muito, se encontra paralisado e até parasitado. Paralisado nas suas energias e parasitado por um torpor inabilitante.

 

É por isso que o que se passa hoje é uma realidade e funciona como um sinal. O país há muito que não anda. Ou, então, só anda para trás.

 

É doloroso as pessoas esforçarem-se, darem o seu melhor e, depois, alguém vir dizer (aqui ou em Bruxelas) que estamos a recuar.

 

Tudo está concentrado nas finanças. A economia surge quase destroçada. Mas sem crescimento da economia, como equilibrar as finanças?

 

A greve geral deste dia, com a qual em consciência me solidarizo, desponta na prática como um grito de desespero.

 

As pessoas sabem de antemão que ninguém sai a ganhar. Não ganha a comunidade porque há serviços que não funcionam.

 

Há consultas que não são feitas. Há trabalhos que não são realizados.

 

Não ganham os grevistas porque lhes é descontado um dia de salário, o que, na actual conjuntura, é relevante. Daí que seja de enaltecer o seu espírito de sacrifício e militância.

 

O êxito desta greve estava já condicionado à partida. Ele não é mensurável pela taxa de adesão, por muito elevada que seja. O êxito só seria assegurado se houvesse uma alteração efectiva das políticas. Mas é isso que, para mal de todos, não irá acontecer.

 

Ainda ontem, foi dado mais um sinal perturbador. Afinal, a redução de salários na função pública não será para todos. Há quem fique de fora. Dizem-nos que são as regras do mercado.

 

É triste quando a justiça fica sempre à porta da política sem que esta lhe franqueie a entrada. Se os sacrifícios são para todos, porquê excepções para quem, de resto, aufere vencimentos altíssimos? Orwell continua a ter razão. Todos os homens são iguais, mas uns são mais iguais que outros.

 

Isto leva-nos para uma outra questão sensível. A governação não entusiasma, mas a alternativa também não convence. As diferenças entre os dois principais partidos parecem similares às que existirão entre Dupont e Dupond.

 

O ar vagamente teenager da actual classe política não instila especial confiança na população. Na hora que passa, do que mais precisamos é de maturidade, de profundidade, de criatividade.

 

Há muita redundância e quase nenhuma diferença. Tudo surge estilizado, pré-formatado, standard.

 

Amanhã, tudo voltará ao normal. Talvez uma greve à escala europeia e por mais que um dia tivesse mais efeito.

 

Mas o que mais impressiona (e fere) é a greve da esperança. Grave é essa greve.

 

A vida dos cidadãos parece amarrada por teias incontáveis de interesses em que alguns justificam o muito que acumulam e muitos são atirados para a periferia, sem quase nada.

 

Precisamos de um novo discurso. De uma outra ética.

 

Comecemos pelo básico. Que em nenhum lar falte o pão. E que em nenhum coração feneça a esperança. Não deixemos que ela faça greve.

 

Grave é mesmo a greve da esperança.

 

 

publicado por Theosfera às 11:13

De António a 24 de Novembro de 2010 às 14:06
Repito um comentário que, por lapso, deixei noutra caixa. Se houvesse condições para uma greve geral de uma semana à escala europeia, os grupos financeiros especuladores e as associadas empresas de " rating", grandes responsáveis pela crise que todos vivemos, eram capazes de ter medo. Uma greve geral a essa escala seria uma forma clara de dizer ao poder do capital manipulador: " trabalhem vocês", que é o que essa gente precisa de ouvir.Esses poderes económicos perversos só conhecem e cedem à linguagem, metaforicamente falando, de um valente soco no estômago. Aí, no dia seguinte, as taxas de juro baixavam imediatamente. Parece que não há mesmo outro caminho: o do confronto agudizado de posições. Hoje, o problema da "luta de classes" já se coloca a outro nível: o da maioria das classes estratificadas das sociedades contra os poderes económicos financeiros que as manipulam a seu bel-prazer.Imagino o sorriso irónico de Álvaro Cunhal, do lado etéreo da vida em que se encontra, quando os governos europeus estão hoje reféns das firmas de rating, quando a Irlanda esteve em vias de cair na bancarrota generalizada e quando Portugal está já na mira dessas aves de rapina. Pergunto: quem ganhou com os biliões infectados nos bancos irlandeses ? Foi o povo ou foram os especuladores gananciosos que dominam as alavancas do Poder Económico ? E quem vai suportar os encargos do necessário apoio à Irlanda ? A resposta é óbvia: todos nós e a geração futura que já se encontra empenhada. Até quando ? Até ao momento em que os especuladores agiotas levaram um valente soco no estômago.É o que eles precisam e que reclamam. Quando a revolução social estiver na rua,e não apenas a fazer de conta, eles vão ceder.Mas só assim. Palavras mansas não tocam o Diabo...

De António a 24 de Novembro de 2010 às 20:06
Correcção: onde por lapso escrevi " biliões infectados" quis obviamente referir " biliões injectados".


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