O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Domingo, 21 de Novembro de 2010

Insistir demasiado na denúncia do relativismo pode conduzir ao efeito contrário do pretendido.

 

É claro que as posições não são todas equivalentes, mas cabe ao discernimento fazer a respectiva triagem.

 

Este é um processo de busca incessante, nunca concluído.

 

Recordo que Xavier Zubiri falava de um duplo absoluto: Deus como absolutamente absoluto e o Homem como relativamente absoluto.

 

Neste mundo, tudo é relativo no sentido de que tudo está relacionado com tudo.

 

Quando se insiste no absoluto de uma posição, acaba por se menorizar quem defende a posição diferente. Ora, o ser humano pertence a uma grandeza inquestionável.

 

Condicionar uma pessoa pela posição que toma é inverter as coisas. As posições podem ser discutidas. A pessoa tem de ser preservada.

 

Quantas vítimas não existem em nome de posições absolutas?

 

Só que, muitas vezes, o absoluto também se mostra relativo, também mostra uma geometria variável, também muda de posição. O que era absoluto deixa de o ser.

 

Só mesmo Deus e a alma humana é que são intocáveis.

 

E, depois, parece-me cada vez mais que o relativismo não é o principal problema. É a intolerância, a rejeição, a falta de acolhimento do diferente, a ausência de misericórdia e de compaixão, a injustiça.

publicado por Theosfera às 19:04

De António a 22 de Novembro de 2010 às 20:22
Há cerca de 2000 anos, houve um Homem que se opôs à Lei de Talião, que,nessa altura, vigorava, como alegada fundamentação divina pelos membros do Sinédrio. Esses sacerdotes certamente que, perante a sua mundividência teológica, catalogaram Jesus de Nazaré, não só como relativista mas também como herege. Prova disso mesmo está na condenação do Nazareno à pena capital por esses que se arrogaram no direito divino absoluto de conduzir Cristo à Crucificação. O que aconteceu com Jesus de Nazaré tem acontecido ao longo da História com múltiplos " relativistas" e " hereges", como Galileu e Joana D´Arc, cujo problema não é o de terem razão, mas a de a terem antes do tempo em que os Absolutistas do Divino os julgam e condenam. São exactamente os mesmos que andam constantemente com o credo da Humildade na boca, mas que actuam exactamente ao contrário dos princípios éticos que apregoam, mas não praticam.


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