O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Domingo, 21 de Novembro de 2010

«A fé é a antipedagogia: não tem manuais, nem receitas; é a experiência tornada inteligência, é a prática tornada sabedoria; é a persistência tornada fortaleza.

A fé é a paz da permanente inquietação.

A fé é o constante movimento de conversão.

A fé é a certeza de que há, ainda aqui, no meio deste mundo, uma realidade qualitativamente diferente, ilimitadamente nova.

A fé é, afinal, o reino da única utopia que não se esvai em fumo».

Assim escreveu (atinada e magnificamente) Maria de Lourdes Pintasilgo.

publicado por Theosfera às 13:52

De António a 21 de Novembro de 2010 às 14:19
Também é preciso fazer uma adequada pedagogia sobre a Fé, pois, e por mim falo, Deus dotou-nos de Razão para igualmente aferirmos a validade da Fé. Podemos acreditar que os judeus deambularam durante 40 anos pelo deserto, mas não conheço nenhum historiador idóneo que certifique esse hipotético acontecimento.Devo acreditar na existência histórica de Adão e Eva e de Noé só porque uma suposta Fé me determinaria essa crença ? Do mesmo modo,a minha Razão aceita a veracidade do relato bíblico relacionado com a intenção de Abraão assassinar o seu filho Isaque, por alegada vontade de Deus ? A minha Razão aceita que o profeta Eliseu teria amaldiçoado 42 meninos porque estes lhe chamaram calvo, que assim foram mortos por duas ursas saídas de um bosque ? A minha Razão aceita que o profeta Elias tenha sido o primeiro ser humano a não conhecer a morte física, por alegadamente ter subido aos céus num redemoinho e nunca mais foi visto ? Também já fui daqueles que acreditaram que Maria Santíssima teria aparecido em Fátima. Mas, depois de estudar atentamente toda a temática dos eventos da Cova da Iria, detectei tão graves e chocantes contradições e uma doutrina fatimista tão intrinsecamente contrária à Doutrina de Cristo que, para ser coerentemente cristão, já não posso aceitar o que antes dera adquirido, pela mediação imponderada da dita Fé. Há tantas questões a colocar no domínio da Fé, para que esta seja verdadeiramente Fé e não superstição. E para que a Teologia seja um domínio do equilíbrio mental e não da mais fantasiosa esquizofrenia...

De Theosfera a 21 de Novembro de 2010 às 16:11
Bom Amigo, sem querer fazer o papel de hermeneuta apressado de Lourdes Pintasilgo, creio que a sua expressão tem que ver sobretudo com a ausência de algo pré-concebido, de pressões. No fundo, vai ao encontro de Roger Garaudy quando assinalava que a fé está em nós, embora não seja de nós.
Abraço amigo no Senhor.

De António a 21 de Novembro de 2010 às 16:49
Estimado Padre João António:

Muito grato pela sua objecção que inteiramente acolho. Entendi o ponto de vista de Maria de Lourdes Pintasilgo, que deverá obviamente ser contextualizado nos termos que o estimado Padre João António refere.Aliás, tenho por ela muita estima, conquanto nunca a tenha conhecido pessoalmente. Mas reconheço-lhe grande nobreza de carácter e atitudes, como católica e enquanto cidadã empenhada na acção política. Quando formou Governo, escrevi-lha uma carta com uma sugestão legislativa concreta. E dela recebi uma resposta personalizada, acusando a recepção da minha carta e dizendo que iria acolher a sugestão que apresentei. Quanto à temática da Fé, penso que a verdadeira Fé se manifesta e impõe quando fazemos Silêncio e tentamos escutar a Voz de Deus. Eu já O ouvi em profundo Silêncio, não porque possua qualquer atributo especial, mas apenas porque também sou filho de Deus. Essa é, para mim, a verdadeira Fonte da Fé, a natureza mais íntima da Comunhão com Deus, o real Encontro Místico com Deus. Orar não é pedir, como dizia Gandhi, mas a respiração da alma. E, se algo for de pedir a Deus, que Ele nos ilumine na melhor compreensão do Seu Ser.Foi dessa forma que cheguei à conclusão da configuração ontológica de Deus: Bondade Pura.E foi Deus quem me sugeriu que O visse nesta específica concepção, propondo-me a seguinte reflexão: " Pensa na pessoa mais bondosa que conheces. E, a partir desse pensamento, imagina-me infinitamente mais bondoso do que a pessoa mais bondosa que conheces". Nesse exacto momento, conheci Deus, num recanto maravilhoso e isolado do belo e límpido Rio Estorãos. Foi uma vivência espiritualmente avassaladora. Deus tinha acabado de Se me revelar no fundo do meu coração...

De Theosfera a 21 de Novembro de 2010 às 18:24
Obrigado, bom Amigo, por este belo testemunho. Aliás, tenho pensado, nos últimos tempos, que, de entre os transcendentais, a Bondade é a dimensão decisiva. Sem bondade, até a verdade não é verdadeira...
Abraço amigo no Senhor.

De Maria da Paz a 22 de Novembro de 2010 às 13:58

«...a Bondade é a dimensão decisiva. Sem bondade, até a verdade não é verdadeira...»

Estas palavras estão entre as mais sublimes que já li em toda a vida.
Parabéns e muito bem-haja, Rev.mo Senhor Doutor João António!
Afectuosamente,
Maria da Paz

De Theosfera a 22 de Novembro de 2010 às 14:32
Ex.ma Senhora Dra: Bondade sua. Muito obrigado. Deus a abençoe!
Abraço amigo no Senhor.


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