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Sexta-feira, 19 de Novembro de 2010

Um filme e um documentário estão a concentrar as atenções na cultura.

 

O filme do desassossego é da autoria de João Botelho, elaborado a partir do livro do desassossego de Bernardo Soares, o semi-heterónimo de Fernando Pessoa.

 

É um empreendimento arrojado e constitui um serviço prestimoso. Será, sem dúvida, uma forma de, pelo filme, muitos poderem aceder à leitura desta preciosidade da nossa literatura.

 

O documentário é José e Pilar, que recria a vida e as impressões de Saramago e Pilar del Río.

 

Há escritores que, mesmo em vida, nunca quiseram entrar no palco. Basta pensar na vida praticamente reclusa de Herberto Hélder, António Ramos Rosa ou até Miguel Torga. Sempre recusaram qualquer exposição mediática.

 

Há outros que, mesmo depois da morte, dificilmente saem de cena. O mais curioso é que, por natureza, Saramago parecia reticente ao fluxo mediático.

 

O que o documentário aparenta mostrar é que nunca é tarde para o encontro com o mais fundo da pessoa. Saramago não começou a escrever muito cedo e foi já tarde que encontrou a pessoa com quem partilhou o resto da vida.

 

Apesar da secura e da acidez que patenteava, Saramago formava com Pilar del Río um casal feliz, sereno, em permanente encantamento mútuo. O desgaste parece que não os contagiou.

 

De resto, Saramago é uma contradição viva e, por isso, estimulante. Esteve sempre longe do que estava próximo e acabou por estar próximo do que, à partida, estaria mais longe.

 

De facto, as polémicas maiores que alimentou foi com as entidades que nos são mais familiares: a pátria e a religião. De Portugal saiu em litígio. À religião nunca chegou a voltar. Ou, talvez, dela nunca tenha saído.

 

Como afirma o autor do documentário, Saramago foi um permanente acicate para o pensamento. Pôs-nos a pensar sobre muita coisa. Inclusive sobre Deus.

 

A seu modo, movia-se no terreno da religião. De uma forma adversativa, é certo. Mas que seria da obra de Saramago sem a motivação religiosa? O Evangelho segundo Jesus Cristo, In nomine Dei ou Caim são alguns títulos que corporizam o universo religioso (muito especial) de Saramago.

 

Acabou por se aproximar de quem estaria mais distante e esse foi o encontro determinante da sua vida.

 

Pilar del Río não era portuguesa e o temperamento era muito diferente.

 

Diz quem o conhece que Saramago se tornou uma outra pessoa. Pilar parecia fazer parte dele.  Daí o título deste documentário.

 

Saramago achava-se longe de Deus. Mas Deus nunca Se acha longe de ninguém. Nem daqueles que O negam. Porque, no fundo e como disse um dia Miguel Esteves Cardoso, são esses os que mais precisam d'Ele.

publicado por Theosfera às 10:53

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