Se há quem se diga ateu, Nietzsche terá levado o seu ateísmo a um grau supino de ferocidade nihilista.
Mas nem Nietzsche deixou de falar com Aquele que combatia. No fundo, Torga é que estava certo ao confessar: «Deus. O pesadelo dos meus dias. Tive sempre a coragem de O negar, mas nunca a força para O esquecer».
Eis, então, a oração composta por Nietzsche:
Antes de prosseguir o meu caminho e de lançar o meu olhar para a frente, elevo as minhas mãos na direcção de Quem fujo.
Teu sou, embora, até ao presente, me tenha associado aos sacrílegos.
Teu sou, não obstante os laços que me puxam para o abismo.
Mesmo querendo fugir, sinto-me forçado a servir-Te.
Eu quero conhecer-Te, Desconhecido..
Tu, que me penetras a alma e, qual turbilhão, invades a minha vida.
Tu, o Incompreensível, mas meu semelhante, quero conhecer-Te, quero servir-Te.
Só a Ti!

