O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Quarta-feira, 17 de Novembro de 2010

Respeito, mas, com o máximo respeito, não posso concordar.

 

Tem, nos últimos dias, revivescido o discurso, por parte de altas figuras eclesiásticas, da sociedade sem Deus.

 

Desde logo, não se pode confundir Deus com a Igreja. O problema de muitos, a montante de qualquer razoabilidade da sua posição, não é com Deus; é com a Igreja.

 

Ainda recentemente, Mário Soares assumiu ter passado do ateísmo para o agnosticismo. E o motivo por não ter aderido à fé foi, na sua sua óptica, a proximidade da Igreja com o Estado Novo.

 

Porventura, este juízo nem é justo. Houve muita gente na Igreja que se demarcou e pagou um preço elevado por isso. O próprio Cardeal Cerejeira, amigo de Salazar, muitas vezes dissentiu dele. Discretamente, sem dúvida, mas dissentiu.

 

Releve-se, porém, a base. O juízo pode não ser justo, mas é um sinal.

 

As pessoas mantêm uma profunda ligação a Deus. O recente livro de John Micklethwait e Adrian Wooldrige aí está para o demonstrar. Aqui se documenta, por exemplo, que o domínio da China não é só no plano económico e comercial. Começa a ser também no plano religioso.

 

Só que há um indicador a que não se pode desatender. O crescimento do Cristianismo na China não ocorre apenas pelas igrejas. Verifica-se também à margem das igrejas. Há um número cada vez maior de cristãos a reunir-se em casas particulares.

 

Agora, vir dizer que vivemos numa sociedade sem Deus é mesmo sinal de que não estamos atentos nem a Deus nem á sociedade.

 

A procura até aumentou. E nem o ateísmo está completamente à margem. Zubiri anotava que o ateísmo acaba por ser uma relação com Deus pela via da negação. Negação, mas relação.

 

O que acontece é que a relação com Deus está a fazer-se, crescentemente, longe das igrejas. Sobretudo na Europa.

 

Isto não será um sinal a ter em conta?

publicado por Theosfera às 11:46

De António a 18 de Novembro de 2010 às 13:11
Se eu aqui, por exemplo, viesse criticar com alguma acutilância o Quanta Cura- Syllabus do Papa Pio IX , provavelmente alguém aqui poderia aparecer a acusar-me de " anti-católico".

E se fosse o actual papa Bento XVI a fazê-lo, e ainda por cima fazendo alusão à Revoluçaõ Francesa de 1789, quem o acusaria de algo menos católico ?

Pois bem, deixo estas citações para meras reflexões, do então Cardeal Ratzinger, opondo a Sylabbus à Gaudiem et Spes, de que Joseph Ratzinger foi um dos principais redactores:

“ Se se deseja emitir um diagnóstico global sobre esse texto, da Gaudium et Spes, poderia dizer-se que significa (junto com os textos sobre a liberdade religiosa e sobre as religiões mundiais) uma REVISÃO do Syllabus de Pio IX, uma espécie de ANTISYLLABUS

“ Contentemo-nos aqui com a COMPROVAÇÃO de que o documento DESEMPENHA O PAPEL DE UM ANTISYLLABUS, e, em consequência, EXPRESSA A INTENÇÃO de uma reconciliação oficial da Igreja coma nova época estabelecida a partir do ano de 1789″

(Cardeal Joseph Ratzinger, Teoria dos Princípios Teológicos, Herder, Barcelona, 1985, p. 454 458)





De Theosfera a 18 de Novembro de 2010 às 14:15
Tem razão, bom Amigo. Às vezes, olha-se mais para quem diz do que para o que é dito.
Abraço amigo no Senhor.

De António a 18 de Novembro de 2010 às 15:54
Permito-me aqui sugerir a leitura de um livro magnífico: " ESPERA DE DEUS", da colecção " Teofanias" da Assírio & Alvim, um conjunto de várias cartas trocadas entre Simone Weil e um padre seu amigo.É um livro imperdível a vários níveis de análise. No prefácio de José M. Pacheco Gonçalves, revela-se que Simone Weil recebeu o seu " baptismo místico" cristão em Portugal, ao presenciar uma procissão de velas na localidade de Caxinas. Depois,é fascinante perceber como é que a anti-religiosa Simone Weil, educada num ambiente familiar de forte agnosticismo, se transformou numa cristã radicalmente empenhada nas lutas proletárias sociais e uma incansável perscrutadora da mais aprimorada concepção de Deus...

De Theosfera a 18 de Novembro de 2010 às 16:19
Muito obrigado, bom Amigo. É, na verdade, um livro singularmente tebol e interpelante.
Abraço amigo no Senhor.

De Alyod a 20 de Novembro de 2010 às 15:10
Por falar em Zubiri, acaba de sair a primeira tradução de uma obra de Zubiri em português (do Brasil): «Natureza, História, Deus». Ver: http://erealizacoes2.comunicacaoporemail.net/ver_mensagem.php?id=H|730|48034|100611123232085458932

A foto não faz jus à qualidade da edição, que é muito bonita e de uma qualidade surpreendente.

Já está em preparação a edição brasileira da trilogia sobre a inteligência.


mais sobre mim
pesquisar
 
Novembro 2010
D
S
T
Q
Q
S
S

1
2
3
4
5
6

7
8
9





Últ. comentários
Sublimes palavras Dr. João Teixeira. Maravilhosa h...
E como iremos sentir a sua falta... Alguém tão bom...
Profundo e belo!
Simplesmente sublime!
Só o bem faz bem! Concordo.
Sem o que fomos não somos nem seremos.
Nunca nos renovaremos interiormente,sem aperfeiçoa...
Sem corrigirmos o que esteve menos bem naquilo que...
Sem corrigirmos o que esteve menos bem naquilo que...
online
Number of online users in last 3 minutes
vacation rentals
citação do dia
citações variáveis
visitantes
hora
Relogio com Javascript
relógio
pela vida


petição

blogs SAPO


Universidade de Aveiro