O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Quarta-feira, 17 de Novembro de 2010

A história é tecida de contradições.

 

Veneramos o consenso, mas a experiência mostra que o mundo avança por rupturas.

 

Algum país nasceu na sequência de uma negociação pacífica?

 

Talvez fosse por isso que Agostinho da Silva se declarava avesso à ortodoxia e à heterodoxia. Para ele, só o paradoxo.

 

António José Saraiva era ainda mais contundente, afirmando-se totalmente a-doxo.

 

Como sair então do impasse? Como conjugar o que parece estar a milhas de qualquer conjugação?

 

Só há um caminho: a firmeza serena.

 

Jesus é aquele que pega no chicote e expulsa os vendilhões. E repare-se que Hitler, oportunisticamente, aproveitou logo para elogiar esta página do Evangelho. Só que em nenhum lado se diz que Jesus tenha acertado em alguém.

 

Mas Jesus é também aquele que, mesmo em legítima defesa, não aprova Pedro quando este agride um dos soldados que O prendeu.

 

No primeiro caso, está em causa um valor supremo: a relação com Deus. No segundo caso, está em causa um valor fundamental: o respeito pela dignidade humana. Mesmo pela daqueles que não a honram.

 

Há, pois, uma terceira via. E Gandhi ilustra-a belamente. É possível lutar pela mudança sem recorrer à violência.

 

Os maiores revolucionários são os não violentos, os pacíficos.

publicado por Theosfera às 11:11

De Maria da Paz a 17 de Novembro de 2010 às 23:43
Rev.mo Senhor Doutor:

«Jesus é aquele que pega no chicote e expulsa os vendilhões. (...) Só que em nenhum lado se diz que Jesus tenha acertado em alguém.»

Mesmo que eu nunca tivesse lido nada de V. Rev.ª bastaria a afirmação supra para lhe agradecer, eternamente, estas suas palavras esclarecedoras!

Crentes e não crentes, muitos de nós estávamos convencidos de que Jesus tinha mesmo zurzido os vendilhões do Templo! E era um "nó górdio" na minha cabeça, que V. Rev.ª desatou agora, qual novo Alexandre Magno!
Tenho de enviar este texto (com licença de V. Rev.ª ) a uma querida Amiga minha que é ateia e que um dia me disse que Jesus era mau, pois tinha batido nos vendilhões do Templo. Aqui me penitencio com toda a humildade que me é possível: não consegui responder-lhe à altura! Lá fui "defendendo" Jesus, como se Deus precisasse de defesa! "Advogada" fraquinha, sem suporte cultural à altura, fiz o que pude, sem eficácia! Não fiquei nada contente comigo!

Agora mesmo, cotejei os quatro Evangelhos: Deus nos perdoe as leituras distraídas que fazemos da Sagrada Escritura!

Com o meu sentido agradecimento, sou afectuosamente,
Maria da Paz


De Theosfera a 18 de Novembro de 2010 às 00:20
Ex.ma Senhora Dra: muito obrigado. não nego que esta é uma das páginas mais difíceis de digerir, já que pouco se compagina, à partida, como o perfil e a mensagem de Jesus. Mas o que está em causa é mesmo a prioridade de Deus. E, de facto, em lado nenhum se diz que Jesus tenha agredido alguém. Dir-se-ia que foi assertivamente dissuasor...
Abraço amigo no Senhor.

De Maria da Paz a 18 de Novembro de 2010 às 01:19
Pois! Mas nós, com as nossas leituras apressadas e distraídas e ( o que é pior!) com as nossas inclinações para o mal, a desforra, a "vingançazinha", acabamos por "ler=interpretar" este passo do Evangelho "à nossa imagem e semelhança"!
Aí está o resultado, nas nossas erradas conclusões!
Que Deus nos perdoe!
Precisamos, como se vê, e de modo premente, das palavras sábias e luminosas de V. Rev.ª: um mensageiro de Deus!
«A luz não é para pôr debaixo do alqueire», não é verdade?
Deus o cubra de bênçãos, Rev.mo Senhor Doutor, pela generosidade da sua missionação, neste espaço tão proveitoso! Não nos deixe!
Afectuosamente agradecida,
Maria da Paz


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