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Segunda-feira, 15 de Novembro de 2010

1. Habituámo-nos a ver o material e o espiritual em oposição mútua e bloqueio recíproco.

 

Para muitos, o material é o contrário do espiritual e o espiritual é o contrário do material.

 

Esta é a situação. Mas este é também o problema. É que, nesta contradição, o material impõe-se e asfixia. E, desse modo, em vez de ser o espiritual a iluminar o material, acaba por ser o material a obscurecer o espiritual.

 

Em não poucos ambientes, o dualismo foi ao ponto de dar lugar a um monismo.

 

A única realidade que muitos conhecem é a material. O único capital em que a maioria aposta é o capital material.

 

Está, aliás, convencionado que dizer capital é dizer material, sobretudo dinheiro.

 

É sob este padrão que a riqueza se afere pelo capital material. Nem sequer damos conta, porém, de que aquilo que supostamente nos enriquece é o que mais nos empobrece.

 

Pobre de quem só tem dinheiro, costuma dizer-se. A maior riqueza vem do capital, mas do capital espiritual. Aquele em que, afinal, menos investimos.

 

O mal, de resto, não está no material em si. Está na subjugação perante ele.

 

 Quando possuímos, não conseguimos poupar nem sabemos repartir. Presumimos que ele dura para sempre. Quando as posses diminuem, entramos em depressão. E só aí nos lembramos dos que nunca possuem. 

 

2. Temos canalizado tudo para o capital material.

 

A matéria é o preço da matéria. Quem tem mais material (dinheiro) acede, de modo privilegiado, ao material (produtos).

 

A justiça parece não contar muito. Uma minoria concentra praticamente tudo enquanto a grande maioria suspira por quase tudo.

 

Sucede que o material é finito, esgota-se. Esgota-se o produto e, mesmo que este não se esgote completamente, vai-se esgotando o dinheiro para o adquirir.

 

Como as relações são de poder e dominação, quem detém a gestão dos produtos e do dinheiro dita as condições.

 

Em síntese, aos mais pobres são impostas restrições pouco menos que insuportáveis.

 

 

3. É, por isso, chegada a hora de fazermos o que ainda não foi feito.

 

Antes de fundarmos uma organização, um partido ou um outro qualquer movimento, é fundamental criar um espírito.

 

Precisamos, sem dúvida, de um espírito que transforme as instituições incluindo as próprias igrejas.

 

Já há mais de três décadas que Roger Garaudy entrevê esta necessidade como uma urgência.

 

É, aliás, no mesmo sentido que Leonardo Boff preconiza a passagem do capital material ao capital

espiritual.

 

Desde logo, porque o capital material tem limites enquanto o capital espiritual é ilimitado. «Não há limites para o amor, a compaixão, o cuidado, a criatividade».

 

Não se trata, como é óbvio, de pôr de lado a ciência, a técnica e a economia. Trata-se, antes, de as ver de uma nova forma e de lhes apontar uma outra direcção.

 

O capital material está, no momento presente, adulterado pelo lucro. É preciso reabilitá-lo pela justiça.

 

 

4. O capital espiritual pode ser, assim, a alavanca e o motor do capital material.

 

Os dois podem conviver harmoniosamente. O espírito tem ser a base, a alma. É preciso «redescobrir o capital espiritual e começar a reorganizar a vida, a produção e o quotidiano a partir dele».

 

Só assim a economia estará ao serviço da vida e da pessoa enquanto pessoa.

 

Só que este passo não ocorre por inércia nem por efeito de magia. Tem de ser fruto da nossa opção.

 

Como recorda Roger Garaudy, o acolhimento do espírito é uma tarefa de todos e de cada um.

 

Aqui, nem sequer é a religião que está em causa. É algo interior, que — assinala Leonardo Boff — «emerge das virtualidades da evolução consciente»

 

É por isso que a crise actual pode não significar apenas o prenúncio do fim de uma civilização moribunda. Ela pode configurar «os sinais de parto de um novo modo de viver e de habitar a Terra».

 

 

5. No fundo, no fundo, o capital material criou em nós o deslumbramento de sermos deuses.

 

Já o capital espiritual, abrindo-nos à dimensão de Deus, leva-nos a agir como homens e sermos humanos.

 

Não estará aqui uma enorme oportunidade? «Quando desistirmos de ser deuses — lembra Rose Muraro —, poderemos ser plenamente humanos, algo que, a bem dizer, ainda não sabemos o que é».

 

publicado por Theosfera às 14:23

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