O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Sexta-feira, 12 de Novembro de 2010

Na política, como no resto da vida, não basta ter razão nem chega ter força. É fundamental ter autoridade, credibilidade e também paciência.

 

Um dia, D. Caio caiu. Mas nem ninguém lhe ligou, porque habituara-se a enganar os outros com o grito eu caio!

 

A autoridade conquista-se com o exemplo. Em horas de crise, precisamos mais de caminhos do que de lições.

 

Caminhos todos podemos trilhar. Mas quem pode dar lições?

 

Recordo o que, há cerca de dois decénios, disse um ministro no parlamento: «Aceito conselhos não de quem saiba mais, mas de quem tenha feito melhor»!

 

Mais do que enveredar por uma leitura casuística de quem pode baixar mais os salários e as pensões de reforma, o fundamental é assentar num novo padrão de participação na vida pública.

 

Quem está nos lugares de administração (seja no governo, seja em empresas públicas) deve ser habitado por um espírito de missão. Isto já vem de Platão.

 

Não se pede que se prive de uma vida digna. Mas deve evitar-se um padrão excessivamente acima do comum dos cidadãos.

 

Penso que um indicador poderia ser o salário do presidente da república. Nenhum administrador público devia ter um salário maior.

 

Os melhores (se o forem desde dentro) não se negarão a prestar a sua colaboração. Afinal, os direitos de todos não são deveres para cada um?

 

Sei que estamos longe desta cultura cívica, onde o serviço ainda se encontra bastante obscurecido pelo poder. É por isso que se impõe alguma paciência.

 

Insisto na paciência porque, à partida, parece estar nos antípodas da razão e da força. Quem se acha na posse da razão e com força para a assumir, tende a ter pouca paciência diante dos obstáculos que se erguem.

 

Na imprensa (e, particularmente, na blogosfera) deparamos com textos carregados de razão e cheios de energia, mas que denotam uma tremenda falta de paciência.

 

 O tom é demasiado azedo e a atitude parece excessivamente agreste. Vistas as coisas, ninguém pode contestar o acerto das posições.

 

 É verdade que há coisas que não podem esperar. Mas há que apelar para a paciência. Deus é a referência. Ele tem desígnios que nós não conhecemos e um modo de actuar que não nos cabe decifrar.

 

 Se Ele conseguiu afirmar a vida na morte do próprio Filho (maior impedimento não pode haver), como não conseguirá, hoje, superar as mil e uma oposições que se levantam?

 

 Como referiu o Santo Padre, a paciência de Deus salvará o mundo; só a impaciência do Homem o pode estragar.

publicado por Theosfera às 11:37

De António a 12 de Novembro de 2010 às 13:46
Há tempos vi na tv um documentário sobre o fundador do PS, Tito de Morais, que muito me impressionou. Tito de Morais fora convidado para presidente do conselho de administração de uma grande empresa pública, depois do 25 de Abril. Perguntou quanto era o vencimento. E quando lhe revelaram o montante exorbitante da remuneração recusou liminarmente o cargo, dizendo que não era capaz de ir auferir uma remuneração tão elevada, comparada com o montante do salário mínimo nacional.Com estes exemplos, raros,o mundo fica mais rico em grandeza humana.Obrigado Manuel Tito de Morais. Deus te abençoe como bem mereces...

De Theosfera a 12 de Novembro de 2010 às 18:57
Obrigado, bom Amigo. Também vi esse programa e fiquei estupefacto. Um verdadeiro socialista, como se afirmava e um autêntico cristão ainda que não professasse expressamente a fé. Mas como a prática é o que conta, fica uma enorme lição a quantos professam com os lábios e não praticam com a vida. Será que não haverá mais gente deste jaez? Vou permitir-me transcrever este testemunho no blog.
Abraço amigo.


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