O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Quinta-feira, 11 de Novembro de 2010

Não se pode pedir ao Estado que assegure todos os bens. Mas deve-se exigir ao Estado que não corte as oportunidades de aceder aos bens.

 

Sucede que este mínimo encontra-se longe de estar garantido.

 

O desemprego é a consequência de muitas restrições.

 

O desemprego acarreta a fome.

 

Não sou político, nem economista, mas enquanto houver pessoas com fome e se gastar dinheiro noutras actividades, há qualquer coisa de arrepiante que não pode ser tolerada.

 

Podem dizer que se trata de demagogia. Mas a experiência mostra que a acusação de demagogia é um pretexto para macular aquilo que muitos sentem e a alguns incomoda.

 

De resto, é o economista César das Neves que diz:   «Há várias décadas que, com custo de milhões, os sucessivos governos nos asseguraram que a sua política eliminaria a pobreza. Proclamaram o sucesso várias vezes. Agora, quando é mesmo preciso, tudo se desmorona. Parece que nos 80 mil milhões de euros do Orçamento de Estado não há dinheiro suficiente para alimentar crianças. Compreende-se, é preciso acorrer ao TGV e outras prioridades.

    

Os políticos estão presos de si mesmos. Felizmente ainda restam as escolas, paróquias, IPSS, serviços camarários, ou simplesmente os vizinhos e colegas. Esta é a grandeza de Portugal e enquanto existir a crise dos políticos não nos vence».

 

Não é preciso ser marxista para concordar com Marx neste ponto. De cada um segundo a sua capacidade, a cada um segundo as suas necessidades.

 

Se não pudermos fazer tudo ao mesmo tempo, comecemos pelo mais importante: por dar pão a quem tem fome.

publicado por Theosfera às 11:52

De António a 11 de Novembro de 2010 às 12:29
O postulado "de cada um segundo a sua capacidade, a cada um segundo as suas necessidades" é intrinsecamente cristão, independentemente de ter sido ou não proferido por Marx. O marxismo- leninismo e o estalinismo já foram outras concepções perversas e desumanas. Mas que Marx tinha razão no domínio da estrita análise económica em relação às leis económicas do Capitalismo tinha. E a crise mundial por que estamos a passar só vem confirmar a cientificidade da sua análise...

De Theosfera a 11 de Novembro de 2010 às 14:08
Tem razão, bom Amigo. É isto que faz a grandeza de Cristo: ser traduzido em todos os quadrantes, não deixando de lado o próprio marximso.
Abraço amigo no Senhor.

De Marta M a 11 de Novembro de 2010 às 14:42
Verdade intemporal:
"De cada um segundo a sua capacidade, a cada um segundo as suas necessidades."
Obrigada por lembrar pedagogicamente.
Marta M




De Licurgo a 12 de Novembro de 2010 às 02:51
O princípio "de cada segundo as suas capacidades, a cada um segundo as suas necessidades", é a base para a sociedade comunista, idealizada por Marx e Engels.
Este princípio é uma autêntica falácia. Porquê? A questão radica em algo tão simples quanto isto: quem é que define as capacidades de cada um, mas, sobretudo, as suas necessidades? O Estado, decerto, através de algumas entidades ou comissões fiscalizadoras. Mas como é que se pode saber ou avaliar exactamente quais são as necessidades (e que necessidades são estas? meramente alimentares, ou culturais, intelectuais e religiosas ?) dos indivíduos? Com critérios puramente objectivos, pois outros são difíceis de aplicar? E como são tais critérios definidos? Etc. etc. …
Como se sabe, estas teorias dos filósofos alemães foram levadas à prática pelo tirano sanguinário Vladimir Ílitch Uliánov, dito Lénin, e seus comparsas bolcheviques, a partir da revolução de Outubro de 1917, dando origem ao comunismo soviético, responsável, directo e indirecto, do maior genocídio da História (começou pelo assassinato horroroso da família do Czar). Infelizmente, o regime comunista ainda hoje impera nas ditaduras mais férreas da Humanidade. E muitos políticos anseiam impô-lo nos seus países, para dominarem por completo as massas.

De António a 12 de Novembro de 2010 às 14:12
Você fala assim porque provavelmente nunca passou fome nem nunca dormiu ao relento, senão já perceberia o que é que significa dar " a cada um segundo as suas necessidades"...

De Licurgo a 13 de Novembro de 2010 às 09:44
Sr. António,
o seu comentário denota alguma rispidez, estranha e incompreensível perante os factos cristalinos - demonstrados pela prova histórica - que referi.
Por outro lado, parece-me que não leu o que eu escrevi, pois o seu comentário está totalmente desligado do contexto do meu comentário.

De António a 13 de Novembro de 2010 às 19:04
Caro Licurgo

Respondo sem hipocrisias e nos termos que julguei adequados à sua avaliação. " Os factos cristalinos" têm muito que se lhes diga. As verdades históricas nem sempre são lineares. A frase citada do economista Marx, repito, é intrinsecamente cristã. Se depois Marx descambou para frases reprováveis ou se aconteceram as derivas totalitárias comunistas já é outra história, que igualmente verbero. Tal como não confundo Francisco de Assis com outras personagens nada edificantes da Igreja Católica. É claro que há ainda muitos que gostariam de um Catolicismo onde não ocorresse Doutrina Social consequente. São aqueles que só gostam do Cristianismo se e na medida em que não tiverem que partilhar os bens terrenos. Que gostam de possuir os seus bens imóveis mas nada de pagar IMI. Que gostam de muito fausto litúrgico, muita pompa e circunstância, muita discussão oca e estéril à volta das cores dos paramentos, mas que, no fundo, temem a dimensão social da Doutrina de Jesus de Nazaré. São os mesmos que andam entretidos a discutir a temática da missa em latim para que o Cristianismo saia ainda mais sufocado do que já está...

De Licurgo a 13 de Novembro de 2010 às 19:50
Sr. António, o Sr. continua a dirigir-se à pessoa errada.
Julgo que está a fazer uma apreciação totalmente desfocada e descontextualizada no que aos meus comentários concerne.
Nada do que eu disse tem qualquer ponto de contacto com o teor dos seus comentários. Realmente, não entendo aonde quer chegar com as suas invectivas.
Parece ressumar da sua pena uma contundência crítica (despropositada) que não tem qualquer justificação nem motivo.
Apenas pretendo expor as minhas simples opiniões neste belo espaço (que o Sr. Padre João, magnanimamente proporciona) de liberdade e, penso, de compreensão e alguma elevação. Nada mais.
Não estou interessado em alimentar discussões estéreis com quem parece ver "fantasmas" e "perseguições" sempre que alguém discorda das suas ideias (inflexíveis, direi eu).

De António a 13 de Novembro de 2010 às 21:54
" Inflexíveis" diz o Senhor Licurgo.

Sabe,existe uma enorme diferença entre inflexibilidade e convicção. Eu não troco os meus ideais por ideais alheios. E sigo o meu rumo, ciente de que só devo obediência à tirana da minha consciência. Tento falar claro e directo, sem sofismas e eufemismos.

Já há ando aqui há algum tempo. Nunca lancei suspeitas ou ataques pessoais desprimorosos sobre nenhum comentador ou comentadora, embora humanamente tenha reagido a quem, sobre mim, teceu mal-educados comentários " ad hominem". Também foi aqui que já fui considerado " herege" e " excomungado" por alguém que se costumava identificar por José Mariano. Também já aqui me lançaram suspeitas de ser maçon, com, se o fosse, e e não sou, isso fosse motivo de opróbrio e vitupério. O senhor catalogou-me de "anti-católico", como presumo se recordará. Por isso, vai ter que aceitar a fineza de me desculpar, mas, neste contexto, só recebo lições de Deus, Cristo e do Padre João António, que muito e sinceramente estimo....

De Joaquim Camacho a 15 de Novembro de 2010 às 21:18
«Dar pão a quem tem fome» - este é o ponto, a Verdade que é preciso pôr em prática! A mais elementar atitude de Justiça.
(Sempre pertinente a reflexão do Sr. Padre!)

Contudo, gostaria de saber quem é que está disposto a pegar nas suas economias, nos seus bens, e a dá-los aos pobres - e neste momento são muitos milhares. E serão, em breve, muitos mais! Gostaria de saber quem é que será capaz de trabalhar mais, sacrificando o seu repouso, sacrificando-se verdadeiramente, para partilhar com os outros. (Todos conhecemos exemplos sublimes deste ultrapassar-se para dar, generosamente, aos outros, com sacrifício com doação plena: de Pais para filhos. Apenas e só.)

Quanto ao resto, há boas vontades, gente generosa, com muito mérito, mas isto não faz. E se um dia formos obrigados a dar segundo as nossas capacidades para distribuir pelos outros, o ânimo falece, a coragem desaparece e... alinhamos todos por baixo. Desaparece o incentivo, o gosto, a ambição - que também é motor da vida.
E há-de haver sempre uns preguiçosos parasitas que vão viver à custa do trabalho alheio. Estes sim, estes concordarão que tudo se distribua e apresentarão sempre necessidades a suprir pelos outros. Há mesmo "profissionais" deste "ofício".
E falta referir os outros: aqueles que tudo gastam, sem serem capazes de poupar um tostão. Depois, as outras pessoas, aquelas que foram previdentes e que se sacrificaram para terem alguma coisa, essas é que "têm a culpa" do que lhes falta.

Com a crise instalada, quem ousará pôr os seus bens à disposição dos outros? Assim mesmo, na prática! Sem teorias vazias!


De Licurgo a 16 de Novembro de 2010 às 03:22
É isso mesmo, Sr. Camacho.
A teoria comunista, implantada à força pelos bolcheviques redundou no fracasso absoluto da política económica soviética. E naturalmente. Porque era contrária à lei natural, ao espírito e ambição do ser humano. A tentativa de colectivização da agricultura, através da criação dos "sovkhozes" e dos "kolkhozes", onde cada um deixava de trabalhar para si e passava a trabalhar para o povo (?) e para o Estado, só podia redundar em falhanços estrondosos e sucessivos dos planos quinquenais de produção.
Esta visão errada da economia e a tentativa de destruição do capitalismo acabou por gerar um estranho novo capitalismo - gerido pela mão de ferro de Lénine, Estaline, e seus epígonos, com a ameaça sempre presente do Gulag - e o mais déspota de todos: o capitalismo de Estado.
O resultado foi o sofrimento atroz e a miséria das populações soviéticas, e o esmagamento dos países limítrofes, sob as patas dos diabólicos tiranos comunistas.


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