O acontecimento de Deus nos acontecimentos dos homens. A atmosfera é sempre alimentada por uma surpreendente Theosfera.

Sexta-feira, 05 de Novembro de 2010

O jornalista perguntava há dias: alguém se recorda de um grande discurso nos últimos trinta anos?

 

O cronista responde que se recorda apenas de dois e, ainda por cima, feitos pela mesma pessoa.

 

Acrescentava alguém que estava com medo de reler os discursos de Salazar pois temia tornar-se salazarista. Tudo por causa da qualidade supina dos seus discursos.

 

Dizem, aliás, que, à sua cabeceira, figuravam os sermões do Padre António Vieira, um genial manuseador da palavra. E, nessa medida, considerado o imperador da lingua portuguesa.

 

E é aqui que tocamos o punctum saliens do problema.

 

Todos nós transportamos o nosso húmus, a circunstância que nos forma, o ambiente em que crescemos.

 

O ensino, desde há décadas, propõe o conhecimento num plano meramente instrumental. As competências são sobrevalorizadas em detrimento dos conteúdos e da forma.

 

As imagens do parlamento e os textos da comunicação social documentam um empobrecimento crescente na arte de falar e de escrever.

 

O professor, tido como um mestre, já não é visto como alguém que ensina a discorrer. A avaliação, não raramente, consiste em identificar situações ou em escolher possibilidades.

 

A construção do texto, que certifica a elaboração de um pensamento, ressente-se cada vez mais.

 

Nesta itinerância pela estrada do tempo, há que não perder de vista aquilo que vamos perdendo. É ocioso estacionar apenas nos ganhos...

publicado por Theosfera às 10:58

De António a 7 de Novembro de 2010 às 13:25
Gosto de enaltecer quem merece e sou incapaz de tecer loas a quem se comporta de forma humanamente deplorável.De Bento XVI não tinha ainda lido nada que me tivesse especialmente cativado. Retenho na memória, como algo extremamente desagradável, um discurso laudatório de Bento XVI àcerca de João Crisóstomo, o qual, como Martinho Lutero, foi apenas mais um que produziu vergonhosas catilinárias contra os judeus. Mas ontem li uma carta encíclica do papa Bento XVI de que muito gostei: " " Spe Salvi". Muito bem escrita, em estilo sereno e com grande erudição. A anos-luz, não apenas do estilo panfletário do sibilino ditador Salazar, mas também dos sermões odiosos de João Crisóstomo e dos escritos mesquinhos de Martinho Lutero. Estes não tinham, nem gabarito humano nem intelectual, para darem qualquer lição de Cristianismo. O enorme Aristides de Sousa Mendes que o diga...

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